A Geringonça avança

Depois de uma pausa de quase um ano, regresso a este espaço de opinião cumprindo o meu compromisso com a direção do Vivacidade.

De modo a prevenir as costumeiras especulações próprias de períodos como o que atravessamos, marcado pela aproximação das eleições autárquicas, a ocorrer dentro de um ano, quero deixar, desde já, bem claro que este regresso não tem outro intuito que não apenas a presença num debate que se quer plural, garantindo, desta forma, a participação de todos os partidos com representação parlamentar.

Dia após dia, mês após mês, a geringonça das esquerdas vai avançando e mostrando que é possível devolver rendimento aos portugueses, aumentar o salário mínimo, aumentar o número de postos de trabalho, baixar o desemprego, recuperar o clima de confiança económica, controlar o aumento da despesa e cumprir as metas orçamentais baixando o défice público.

Com tudo isto cai por terra o mito da hiper-austeridade com que ao longo de quatro anos o (des)governo PPD/PSD-CDS/PP foi justificando o estado de asfixia geral e que condenou o país.

Uma coligação que não conseguiu resistir aos primeiros ventos de derrota e rapidamente assistimos ao desmoronar da coligação que já nem em Lisboa é capaz de apresentar uma candidatura conjunta, tal é a pressa com que alguns entraram em debandada.

Do resultado das próximas eleições autárquicas dependerá muito do futuro das lideranças dos partidos da caranguejola das direitas e esta separação de águas revela-se plena de significado: quando Ascensão Cristas precisa afirmar uma liderança, que está bem longe de ser consensual no seio do seu partido; e Passos Coelho joga a continuidade ou o seu fim como secretário-geral de um PSD onde os sinais de contestação se vão fazendo sentir em surdina.

A Organização para as Nações Unidas avançou para a seleção do novo secretário-geral através de um processo nunca antes experimentado e pretensamente mais participado e transparente. Contudo, as jogadas de última hora, os avanços e recuos de algumas candidaturas e a ameaça de surpresas de última hora, deixam em todos nós, inversamente, o sentimento de estarmos diante de um processo pouco transparente onde os critérios de competência e capacidade para o desempenho da função podem ser rapidamente substituídos por jogos de interesses. No momento em que escrevo este texto, face à incerteza que se vive, só me resta esperar que o secretário-geral das Nações Unidas seja, aquele que ao longo do vasto processo de votações reuniu um maior consenso, ou seja, o português António Guterres.

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