A geringonça

Todos temos visto ultimamente os dois partidos “externos” da Geringonça, em lutas intestinas procurando, cada um, potenciar ao máximo as suas reivindicações políticas, por forma a que, o Orçamento em construção, as possa melhor repercutir naquele que venha a ser o seu conteúdo final.

Com efeito, o Partido Comunista (PC) e o Bloco de Esquerda (BE), sabedores que são da sua crucial importância na sobrevivência do atual governo, não se têm poupado em exigências ao Partido Socialista (PS), invocando-lhe o mais que podem seja diretamente, seja por intermédio dos seus “braços armados”, os sindicatos, tornando muito mais difícil o trabalho do Ministro das Finanças que se tem visto na necessidade de produzir inúmeras “engenharias financeiras” para poder abarcar no Orçamento tantas exigências caras daqueles partidos.

O que é verdade é que o PS se tem multiplicado em contactos com os restantes partidos da Geringonça, num propósito inequívoco de aceder às reivindicações dos seus dois parceiros parlamentares, e deles obter o compromisso de aprovação, depois do debate na especialidade, do Orçamento do Estado para 2018. Entretanto e com tantas cedências o PS, que tem procurado demonstrar, perante os portugueses, uma postura de governação responsável, tem vindo a “inchar” a despesa orçamental com valores que se repercutirão nos orçamentos futuros, dando em tantas situações o dito pelo não dito, não por razões de necessidade estruturante mas apenas porque não soube ter, nem o engenho nem a arte, de explicar aos partidos que apoiam o seu governo, que a economia do País apesar de bem melhor que no passado recente, continua a exigir um imenso rigor e enormes cautelas na forma como são gastas as respetivas disponibilidades financeiras. Realçamos, na verdade, que o País continua a ser dos mais endividados do mundo e que a sua credibilidade externa será tanto maior quanto mais responsável for a inerente gestão no sentido da sua diminuição sustentada.

Ora, estando a realidade política portuguesa assim preenchida com tais diatribes da Geringonça, torna-se fundamental a ação crítica mas responsável da oposição, que devendo estar atenta às inadvertidas opções do Governo, as deve, em tempo e no tempo certo, publicamente censurar, e traduzir as concernentes alternativas. O que temos assistido contudo é que a oposição se tem quedado por inócuas intervenções, sem a devida confiança de quem se apresenta como alternativa, sendo basicamente o CDS/PP a assumir a liderança crítica e a apresentar-se como partido mais atento ao errático comportamento dos partidos da Geringonça. Claramente que tem sido o CDS/PP uma “pedra no sapato” deste Governo não tendo, no entanto, a força suficiente, motivadora de uma postura mais de Estado por parte dos partidos que o sustentam.

E nessa matéria tem-se notado a “ausência” do PSD, que empenhado em resolver a sucessão da sua liderança, se tem abstido de ser atuante e de cumprir o seu papel de maior partido da oposição, oferecendo antes ao PS uma “avenida” que a realidade nos mostra ter de ser bem mais “patrulhada”, por quem tem a incumbência de fiscalizar o cumprimento dos mais altos interesses da Nação.

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