A história não desvanece com um sopro

Viva Desporto - dezembro 2018

Mourinho fará agora uma pausa “forçada” na carreira / Foto: Direitos Reservados

José Mário dos Santos Mourinho Félix é um nome demasiado importante no futebol português para ser manchado pelo nosso jornalismo. Terá sempre um lugar de destaque na história do nosso desporto por tudo aquilo que conquistou e por ter criado um paradigma que permitiu a que muitos outros treinadores portugueses pudessem demonstrar todo o seu valor além-fronteiras. Isso, caro leitor, isso ninguém lhe tira. Porém, e na verdade, o treinador lusitano estava a ser uma sombra daquilo que foi, em tempos, no mundo do futebol. Sobretudo nas conferências de imprensa, onde toda a gente sabia que, ali, não havia ninguém melhor. Era “el puto amo”, como Pep Guardiola o apelidou. Começava (quase) sempre a ganhar. Todavia, nos últimos tempos, o técnico de 55 anos deixou de ter essa vantagem na comunicação, passando para o lado oposto da contenda, alicerçado num desencanto notório para com os seus jogadores e o próprio desporto. “Se eu fosse multimilionário, afastava-me do futebol e desfrutava da vida”, estas foram as palavras de José Mourinho na antecâmara do seu penúltimo encontro pelos red devils, frente ao Valência. Um líder que diz isto numa sala de imprensa, perante alguns jornalistas desertos de “sangue”, demonstra que, de facto, está desapontado e desmotivado. E se um comandante passa essa mensagem à sua tropa, ainda por cima de elite, o sucesso fica praticamente inalcançável.

Os tempos mudaram. E de que maneira. O futebol evoluiu muito, no treino, no jogo e na análise de ambos. Para piorar e acrescentar (ainda) mais pressão, hoje em dia, até na Premier League se despedem treinadores à velocidade com que os espanhóis comem amendoins nos Estádios. José Mourinho ficou refém do seu ego e foi vítima do futebol moderno. Ainda assim, julgo que o mestre dos “mind games” precisava de uma pausa na sua carreira. Estava cristalizado e já não conseguia passar uma mensagem condizente com aquilo que provou ser, um verdadeiro vencedor. Mas nunca se esqueça de que a raça lusitana tem sempre à espreita um reerguer.

Por último, devo realçar que Sporting de Braga, Leixões, FC Porto, Feirense, Desportivo das Aves, Vitória de Guimarães, Sporting e SL Benfica conquistaram um lugar nos quartos de final da prova rainha do futebol português. Não existindo grandes surpresas nos oito apurados resta-me, então, desejar-lhe um feliz Natal e um 2019 acompanhado da excelência de Cristiano Ronaldo, da paixão de LeBron James, da irreverência de Miguel Oliveira e, claro, da magia de Roger Federer.

, ,