A Ideologia

Neste tempo de efémeras escolhas, onde o importante está no resultado imediato, a política tem padecido de enormes transformações, mostrando-se cada vez mais equívoca nas opções que oferece pois, sempre mais desassociada também da necessária sustentabilidade/profundidade das propostas enunciadas, que se apresentam moldadas à laia de “self service”,dirigidas à resolução concreta de questões específicas.

Esta nova realidade, que faz a política claramente despida de um encaixe programático onde as propostas se integram e complementam, substituído por soluções “ad hoc”, isto é, medidas caso a caso, como se a sua resolução individual seja critério bastante, tem feito proliferar o aparecimento de diferentes projetos políticos, tendencialmente liderados por protagonistas de duvidosa tez, oportunistas e/ou populistas, fazendo decair a confiança dos cidadãos nos interventores políticos e na prática política em geral.

A verdade é que a política, para se mostrar um exercício eficaz e eficiente, não se compadece com o imediatismo de resultados, exigindo tempo e complementaridade, pois apenas uma intervenção inserida num contexto, ou seja, enquanto ação interligada num fio condutor global, pode alcançar em ritmo sustentado e virtuoso, os propósitos esperados.

Ora, só a ideologia carrega em si a resposta, a esta essencial necessidade da determinação de qual o caminho modelador da ação política, porque só conhecendo os diferentes alicerces com que queremos erigir e sustentar a sociedade em que nos integramos, melhor interiorizamos a qualidade das opções que, uma vez adotadas, mais acintosamente se interligam para a boa potenciação da qualidade de vida da comunidade. Assim sendo, não sei compreender a adesão e/ou o crescimento eleitoral de algumas destas novas forças políticas, que afastadas de qualquer ideologia que as determine, se limitam a defender certas “bandeiras da moda” as quais, por muito pertinentes que possam ser entendidas, não as dotam (a tais forças), com um mínimo de suficiência, do exigível enquadramento programático que permita aos cidadãos saber o que esperar delas.

Pois, apesar de uma marcada neutralidade ideológica, algumas destas forças políticas começam a alcançar níveis eleitorais que lhes reforçam a representatividade, enquanto os chamados partidos tradicionais vão ou definhando ou lutando arduamente para que a quebra eleitoral se não amplie perigosamente.

Enfim é o sinal dos tempos, que tem vindo a demonstrar uma clara crise da ideologia, obrigando os partidos tradicionais a terem que redefinir as respetivas práticas e estratégias eleitorais, de forma a, não perdendo a sua identidade e coerência, alcançar influenciar convenientemente os cidadãos

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