A líder

Tudo leva a crer que o CDS já encontrou o seu novo líder: a líder Assunção Cristas.

Certamente que no Congresso se perfilarão outras candidaturas que, a acontecer, não passarão contudo de meras aproximações à liderança, sem veleidades a conseguir outro intuito que o mero protagonismo perante os seus pares.

É que os verdadeiros potenciais candidatos à liderança, aqueles que reúnem condições pessoais e políticas para enfrentarem a candidata Assunção Cristas, como e designadamente, Nuno Melo e Anacoreta Correia, já lhe manifestaram apoio abrindo-lhe caminho para uma vitória anunciada conseguida sem lutas fratricidas mas antes eivada do consenso entre os melhores. Aliás, essa tem sido a grande revelação da Dra. Cristas, ou seja, tem demonstrado uma ampla capacidade de gerar apoios e absorver na sua candidatura as diferentes preocupações de quem, pensando o partido, entende haver espaço para uma diferente evolução na hierarquização de prioridades, na apresentação dos caminhos que o partido deve trilhar em função da realidade social que o País atravessa.

A Dra. Assunção Cristas tem-se desdobrado, país fora, a dizer a militantes e simpatizantes, ao que vem, tendo deixado um halo de muita esperança a todos que a ouvem pois, sem cortar com a identidade que tem feito o partido, tem sido veemente na ingência de o CDS reposicionar estratégias e readquirir a confiança dos portugueses, aproximando o discurso da prática e defendendo que, para isso, o partido tem que mostrar-se mais autónomo, mais ousado, mais livre de correr riscos em prol daquilo que propõe, daquilo em que acredita.

Confesso que a primeira impressão da candidatura da Dra. Cristas não me empolgou e, pelo contrário, deixou-se mesmo céptico uma vez que, surgindo ab initium como forte e ganhadora, não percebia nela a necessária dinâmica e elan psicológico capazes de catapultar o partido para patamares maiores. A sua prestação enquanto ministra não me foi reveladora e nem mesmo particular, apesar da boa imagem que teimava em gerar. Contudo um acompanhamento atento e uma avaliação objetiva desta sua candidatura têm-me inculcado as certezas que não tinha, têm-me seduzido no estilo que oferece e têm-me naturalmente convencido na abrangência do discurso com o qual me tenho vindo a identificar.

Não será claramente uma tarefa fácil aquela que espera a anunciada líder, considerando a crescente suspeição que os portugueses votam à política e aos políticos. No entanto, creio reunir a crença, a sensibilidade e o tão importante savoir faire, para enfrentar tais dificuldades e dar a devida continuidade ao excelente trabalho que o atual líder desenvolveu no partido.

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