A luta de S. Pedro da Cova

Já lá vão quase 20 anos de uma luta justa e firme que exige a reparação de um crime ambiental de grandes e nefastas proporções para a população de S. Pedro da Cova: a deposição ilegal de lixos tóxicos nos terrenos que foram das minas de carvão. Lixos estes que, há décadas, e tendo em conta a sua natureza, podem ter contaminado as terras daquela freguesia com implicações na saúde pública, no ambiente e na utilização futura dos terrenos. Há vinte anos que, sem desistir, a população tem dado força à sua Junta de Freguesia que denunciou o crime e que, desde essa altura, percorreu o caminho necessário para reparar o mal feito às terras e à população de S. Pedro da Cova.

Depois de muito trabalho, de muitas reuniões, de muitas ações com várias entidades públicas relacionadas com o caso, de intervenções do PCP na Assembleia da República e no Parlamento Europeu, e até de ações em Tribunal, a Junta e a população, vitoriosos, assistirão brevemente à remoção total dos resíduos, depois de se ter concluído que a 1a fase da remoção não tinha sido suficiente para resolver a situação e que seria necessária uma nova empreitada.

De novo a luta, de novo as reuniões, de novo a exigência à Câmara Municipal de Gondomar para que fizesse a sua obrigação em todo este processo. De novo o PCP ao lado

das populações fazendo aprovar na Assembleia da República um Projeto de Resolução que garantiu o financiamento e o desbloqueamento da 2a fase da empreitada.

Foram muitos anos de luta enfrentando bloqueios, impasses, adiamentos, com o Ministério do Ambiente a adiar a remoção por várias vezes e a CCDR-N a mostrar-se de mãos atadas.

Apesar de tudo isto, e depois da reunião realizada nesta última semana em S. Pedro da Cova com a presença da Junta e de todas as entidades envolvidas, a autarquia da Freguesia tem a certeza que todo este processo será resolvido brevemente esperando-se unicamente que o Governo e a CCDR-N anunciem publicamente o calendário das operações de remoção, clarificando as datas e o plano de execução e que todos os esforços e ações

apoiados pela firmeza do povo de S. Pedro terão o resultado exigido ao longo destes anos de luta: a remoção total dos resíduos, a recuperação ambiental e paisagística dos terrenos afetados e o apuramento cabal das responsabilidades criminais e políticas que permitiram que este crime ambiental fosse cometido. Um crime que foi um negócio para alguns e que, como sempre, penalizou os mais desprotegidos. Mas a população de S. Pedro da Cova soube dar a resposta adequada, lutando ao lado da sua Junta de Freguesia, com firmeza e tenacidade, até verem os seus direitos repostos. Porque viver numa terra que respeita o ambiente, a natureza e a saúde pública é um direito humano. Um direito que foi conseguido com firmeza, mostrando, mais uma vez, que a luta compensa.

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