A ordem “natural” das coisas…

Enquanto pai, empresário e dirigente associativo, para mim existe uma ordem natural das coisas… Mas, pelos vistos, para outros, enquanto políticos (ou, mais precisamente, enquanto candidatos autárquicos), parace que a ordem natural das coisas é, com aspas propositadas, “natural”.

Refiro-me, obviamente, à mais recente decisão do Tribunal de Contas (TdC) e das implicações que tal terá na vida económica, política e social do concelho de Gondomar. Tivemos, em meados de 2017, inúmeros e exagerados cartazes de propaganda eleitoral autárquica que anunciavam, adivinhando o futuro, reduções de imensos milhões de euros na dívida da Câmara Municipal de Gondomar.

Sim, Gondomar tinha, e tem, uma elevada dívida. Mas, sejamos claros, considerável parte de tal dívida foi herdada do tempo da gestão camarária do Partido Socialista. Veio de um período em que a Câmara, liderada pelo PS, recebia dos gondomarenses os valores de pagamento de eletricidade e, depois, usava esse dinheiro vá-se lá a saber em quê… O que é certo é que tais valores, recebidos pela gestão socialista desse passado, nunca foram entregues à EDP.

E, daí, uma considerável dívida. E, daí, muitos problemas para resolver no futuro (agora já passado).

Valentim Loureiro herdou a dívida. E negociou-a, definindo pagamentos mensais. Valentim Loureiro herdou um problema e tentou resolvê-lo. Agora, na atualidade, com a atual gestão camarária do PS, herda-se o mesmo problema mas, em vez de o resolver, anunciam-se soluções mágicas, fazem cartazes eleitoralistas e, na prática, ludibriam-se e enganam-se os gondomarenses e os eleitores.

O grande cartaz de campanha do PS, nas autárquicas de 2017, não foi a obra feita. Foi, em opção, o anúncio de algo que ainda não se tinha conseguido… A redução da referida dívida que, não sei se já vos tinha dito, foi herdada, precisamente, dos tempos da gestão socialista…

Andou-se com a carroça à frente dos bois. E, contrariando o que é normal e de pessoas com visão, alterou-se a ordem natural das coisas.

Agora, resultado da decisão do Tribunal de Contas, fazemos como o Calimero. Lamentar é a palavra de ordem. Cria-se um “equipa de crise” e pondera-se recorrer “à hipótese mais consistente”, que é o saneamento financeiro. Afinal, verifica-se, a dívida não se reduziu nos milhões anunciados nos cartazes.

Enquanto gondomarense fico preocupado. A decisão do TdC ameaça os bolsos de todos nós. Ameaça o futuro da gestão autárquica. E, principalmente, é um sério aviso aos que fizeram anúncios antecipados e centraram quase toda a campanha eleitoral numa mentira.

Fico com esperança na publicação da Lei das Finanças Locais que antecipa mecanismos de reequilíbrio financeiro nas autarquias. E fico, igualmente, com esperanças que a “equipa de crise” não se fique pelas lamentações e encontre uma outra solução – sem ficar à espera de milagres que, pelos vistos, nunca acontecem.

Estaremos todos disponíveis para encontrar uma solução e para tentar resolver o problema. Mas, enquanto eleitos, não podemos deixar de lamentar esta alterção à ordem natural das coisas. Não havia necessidade…

É que, resumindo toda esta história, as heranças e as promessas, tudo se resumirá a uma frase: A Câmara de Gondomar ficou sem dinheiro para pagar conta da EDP!

E que tal não sirva de desculpa para durante uns anos se andar a poupar, desinvestir, onerar os impostos dos gondomarenses e, como num “passe” de mágica, em 2021 voltar a ter os cofres “cheios” para gastar em publicidades, cartazes e “coisas” habituais em ano de eleições locais.

Nota: Desagrada-me ler nos jornais – desconhecendo se foi bem citado, ou nem por isso – alguém a dizer que nos últimos quatro anos e meio não aumentou os impostos ou as taxas… Não diga que “continuamos a garantir que isso não vai acontecer”. Não é verdade.

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