A polémica em torno do futuro Parque Urbano de Rio Tinto – O Presidente da CMG assim o quis

A recente entrevista que o Presidente da Câmara Municipal concedeu ao jornal “Nós Aqui” sobre o futuro Parque Urbano de Rio Tinto por conter um conjunto de inverdades e pela persistência que demonstra em não assumir o enorme erro político que cometeu merece, da minha parte, as seguintes considerações:

Refere que a Câmara Municipal (CM) tomou a decisão mais acertada ao adquirir as duas parcelas de terreno pertence à Quinta da Boavista pelo valor de 825,00 mil euros caso contrário, ou avançava para a concretização do Plano de Pormenor do Centro Cívico de Rio Tinto que previa a construção de quatro torres de onze pisos no terreno da antiga feira e ainda imóveis de nove pisos na encosta junto ao Centro Paroquial de Rio Tinto ou teria que avançar para a expropriação dos terrenos em causa.

O Presidente da CM não fala a verdade porque se esquece ou quer fazer esquecer que a 26/07/2011 a CCDRN emitiu parecer desfavorável ao referido Plano de Pormenor pelo que esta nunca seria uma opção.

O Presidente da CM não fala a verdade quando refere que a opção pela expropriação dos terrenos sairia mais cara à CM em primeiro lugar porque se esquece ou quer fazer esquecer que nos terrenos em causa já foi construída uma estrada, arruamentos, ligações de saneamento à custa do erário público, em segundo lugar porque adquiriu terrenos, classificados como Reserva Agrícola Nacional, avaliados como solo apto para construção e por último, porque se esquece ou quer fazer esquecer que os proprietários estranhamente esperaram mais de 17 anos para reclamar a existência de um “compromisso municipal” para a aquisição dos terrenos em causa que, como já dei conta neste espaço, não é verdade que exista tal compromisso.

Posto isto até chega a ter certa graça ouvir dizer o Presidente da CM que as negociações com a Lar D’Ouro, Lda. “foram complicadas” e que “foi muito difícil” chegar ao valor de 825 mil euros. E, de certa forma, ainda mais hilariante se torna se tivermos em conta que a CM deu capacidade construtiva aos restantes terrenos que fazem parte da Quinta da Boavista. Como bem foi presenteada a Lar D’Ouro, Lda!

Naturalmente que toda a graça cai por terra porque é do uso de dinheiro público que se trata. Porque estamos a falar de uma clara falta de transparência em todo este processo no qual o Presidente da CM persiste publicamente em justificar a sua decisão com um conjunto de inverdades, continua a tentar enganar os gondomarenses.

Por fim, a referência do Presidente da CM de que o Movimento em Defesa do Rio Tinto é o “braço armado do Partido Comunista” tem tanto de descabida como de ridícula pelo que imagino que se tratará somente de (mais) uma infeliz declaração se bem que, de certa forma, até consigo compreender o contexto em que o Sr. Presidente da CM se deva encontrar porque apesar de não estarmos nem no PREC nem na Guerra Fria este “negócio” faz lembrar aquelas negociatas do antigamente, aquelas em que um dia um certo juiz considerou que não lhe parecia apropriado que a CM servisse de agência de mediação imobiliária.

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