A propósito das sanções

Portugal é “acusado” e ameaçado de sanções pela União Europeia (UE) por em 2015 ter ultrapassado o défice de 3% previsto no Tratado Orçamental.

Sucede que ao longo dos anos, o défice foi ultrapassado por variadíssimas ocasiões e por vários países. Nada mais, nada menos do que 161 vezes, só a França ultrapassou o défice 11 vezes. Porquê só agora se acena com a ameaça de sanções?

Acresce ainda que a Comissão Europeia (CE) decidiu instaurar o processo a Portugal por causa do défice de 2015, portanto, nada que o atual Governo faça em 2016, vai, obviamente, alterar o défice de 2015. Logo, não se percebe o motivo que leva a UE a “exigir medidas” ao Governo.

Depois não deixa de ser curioso que a CE pretenda “castigar” o nosso país, por aquilo que o anterior Governo PSD-CDS fez, quando este seguiu cegamente as orientações de Bruxelas e as políticas de austeridade, que os portugueses bem sentiram.

Ou seja, a Europa impôs politicas de austeridade, o Governo do PSD e do CDS, com uma fidelidade cega, assim fez e agora a CE quer “castigar” o nosso país porque o Governo anterior seguiu religiosamente o que foi recomendado pela própria CE.

Mas interessa ainda perguntar, porque é que o nosso País continua vinculado a um Tratado Orçamental que para além de condicionar as nossas políticas económicas e sociais, prevê a aplicação de sanções se não fizermos a vontade às elites europeias?

Por fim, porquê é que a CE teima em continuar a imiscuir-se nas políticas que estão a ser prosseguidas em Portugal? Estamos a falar de políticas que asseguraram a reparação de erros cometidos pelo Governo PSD-CDS e que, como sabemos, provocaram altos níveis de empobrecimento, de emigração, de desemprego e de pobreza.

Na verdade, foram os portugueses que a 4 de outubro, permitiram uma solução à esquerda capaz de inverter as políticas de empobrecimento, mas também capaz de oferecer resistência aos “mandamentos da Europa” e de procurar políticas alternativas à austeridade.

Num tempo, sobretudo depois do Brexit, em que a União Europeia começa a perceber que, cada vez mais, está de costas voltadas para os europeus e que os povos da europa, cada vez menos, se identificam com o caminho que a Europa está a seguir, seria avisado que a UE aproveitasse para refletir sobre as suas políticas.

Pelos vistos não, a UE prefere ameaçar o castigo a quem não obedecer às suas sagradas orientações. Devolver direitos? Devolver salários e reformas? Devolver feriados? Isto para a UE é inadmissível, verdadeiramente inaceitável.

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