A quem pertence o direito de decidir o futuro da sua cidade

Acerca do futuro centro cívico de Rio Tinto anunciado pelo executivo da Câmara Municipal de Gondomar através deste jornal, algumas considerações.
Relembremos que aquando a destruição do mercado de Rio Tinto previa-se a construção de torres de habitação privilegiando-se desta forma a afamada “política do betão”, religiosamente seguida pelos anteriores executivos. Era claro o favorecimento a interesses imobiliários em detrimento da opinião e proposta da população para o que deseja para o centro cívico da sua cidade.
Apesar de, no novo projeto, para a área do antigo mercado já não estar prevista a construção de habitação, o que é positivo, não se pode dizer o mesmo para o resto das áreas a intervencionar no projeto onde a opção pela construção de habitação se mantém refém ao passado. Mas porquê? Necessitamos de mais habitação? Está à vista de todos a quantidade de habitações livres espalhadas pelo concelho consequência da construção desenfreada vivida nas últimas décadas. Está, também, à vista de todos a quantidade de edifícios que se ficaram pelo início ou pelo meio ou quase no fim para serem concluídos. É possível reverter opções deste tipo para que não se cometam os mesmos erros do passado.
Mais perplexo se fica quando se retira uma outra ideia. A construção que se projeta para a parte esquerda da Avenida do Rio vai impedir, de vez, o desentubamento do rio Tinto. Se o Partido Socialista bem como o atual Presidente da Câmara sempre se demonstraram defensores do desentubamento do rio Tinto como podem agora tomar uma opção completamente diferente? O grande desejo defendido por muitos riotintenses de ver o seu rio despoluído e a correr livre de que vale afinal? E ainda há um ano atrás ouvimos a promessa de um Parque Urbano…
E o que também importa ser dito é que a população tem muito interesse por isto. E tem o direito a ser parte interveniente, a ser parte ativa neste processo.
Existem outras ideias, outros projetos por isso é fundamental o alargamento do debate sobre o Centro Cívico com todas as forças vivas da freguesia para que possa ser alcançado o mais amplo consenso quanto à proposta e projeto a implementar. Apesar de ter nascido torto ainda é possível atingir esse objetivo, para isso, tem que ser dada a oportunidade à população de decidir que futuro deseja para a sua cidade e tem de existir vontade política para requalificar a paisagem da cidade, valorizando o seu património e o seu ambiente rompendo definitivamente com os interesses do passado.

, ,