A realidade desmente o discurso do Governo todos os dias

Se há coisa que caracteriza o atual Governo é a capacidade de encontrar um discurso convincente e não se desviar dele. Aconteça o que acontecer, mesmo que a realidade claramente desminta as palavras, quer o Governo quer o BE e o PCP continuam a persistir exatamente na mesma “narrativa” sem mudarem um milímetro.

Nas últimas semanas, tivemos mais dois exemplos disso. E ambos foram dados a propósito de estudos da UTAO, que é uma entidade técnica independente de apoio ao Parlamento, mais precisamente à Comissão de Orçamento e Finanças.

Num primeiro estudo, a UTAO veio dizer que uma medida que o Governo tinha inventado com o propósito de recapitalizar empresas, a reavaliação de ativos, vai significar menos 242 milhões de euros, no mínimo, a entrarem nos cofres do Estado nos próximos 10 anos. No fundo, é como o Estado financiar-se junto das empresas pagando juros de 15%. Mais, também concluiu que o regime beneficiou sobretudo cinco empresas, com especial destaque para a EDP, que representou metade do programa. Sim, não é engano, metade!

Num outro estudo, a UTAO avaliou as alterações que o Governo PS fez no empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, que os bancos são responsáveis por pagar. Ora, a última mudança que o Governo fez significa que este empréstimo pode custar mais 633 milhões ao Estado. Com benefício para os bancos, como é óbvio.

Ou seja, quando o discurso oficial do Governo diz que agora estão apostados em recapitalizar as pequenas e médias empresas para fazer a economia crescer, na realidade o que se faz é parar a reforma do IRC e dar uma enorme borla fiscal a grandes empresas, e em particular à EDP.

Da mesma maneira, quando a “narrativa” é que o Governo está a resolver os problemas da Banco, na realidade o que temos é uma renegociação de em empréstimo com claro benefício para os bancos.

Em suma, quando ouvimos falar em boa gestão orçamental, aquilo que sabemos é que, em apenas duas decisões, o Governo resolveu deixar para o futuro uma “conta” de quase 900 milhões de euros.

De facto, a realidade desmente o discurso todos os dias.

, ,