A urgência de uma política pública de proteção social

A realidade social do distrito é hoje muito diferente, com uma população mais idosa, com muito maiores carências, crescentes dificuldades em ir ao médico ou à farmácia, em manter a ligação da água ou da eletricidade, com a fome e a miséria a alastrarem, incluindo de pessoas que trabalham e são sujeitas a autêntica escravatura, como é visível no crescimento da percentagem de pessoas a recorrer a apoios de organizações assistencialistas, que cada vez têm maiores dificuldades em responder a todas as solicitações, por estar a ser destruída a política pública de proteção social.

Neste campo, destaque-se que, foi quando as condições de vida dos portugueses mais se agravaram que as prestações sociais tiveram uma quebra acentuada. O Rendimento Social de Inserção e do Complemento Solidário para Idosos, são exemplos significativos do que o anterior governo desinvestiu nesta componente social, piorando, ainda mais, as já precárias condições de vida de muitos milhares de portugueses. Mas esta quebra, significativa em todo o país (-33,5%), foi ainda mais drástica no distrito do Porto (-43,3%). A insistência que constatamos no anterior governo em promover o recurso crescente ao assistencialismo, enquanto destruiu sistemas públicos de apoio social e de redistribuição de recursos, visou agravar dependências e fragilizar situações sociais.

O nosso concelho não é exceção a esta realidade, bem pelo contrário.

A título de exemplo refira-se que o nível da resposta social ao serviço de apoio domiciliário a idosos está muito longe do desejável.

Sendo certo que o Estado desde há muitos anos a esta parte se demarcou deste serviço social, ocorrendo apenas em casos extremos de abandono de idosos sem qualquer tipo de retaguarda familiar, são as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do nosso concelho diga-se, com um enorme trabalho meritório, que substituem o Estado neste papel mas que também tem inúmeras dificuldades por falta de apoio estatal e de recursos físicos e humanos.

Neste momento podemos afirmar que em praticamente todas as IPSS do concelho existem listas de espera intermináveis para as famílias que necessitam de uma resposta rápida para os seus familiares e, evidentemente, nem todos dispõem de recursos para recorrerem a instituições privadas.

É urgente inverter esta situação, exigindo do atual governo e do Município mais investimento e mais apoio às instituições que se dedicam a dignificar e a apoiar todos os homens e mulheres que trabalharam toda uma vida.

, ,