Abril: o mês das mentiras?

Isto é um artigo sobre as propostas de algumas Juventudes Partidárias. Ou melhor: é um comentário sobre cantinas universitárias, populismo, serviço militar obrigatório e o papel que a(s) Esquerda(s) decidem ter.

Há quinze dias, discutiu-se, na Assembleia da República, um conjunto de iniciativas para evitar que os preços das refeições nas cantinas e das camas nas residências universitárias aumentassem. Porque é que eles iam aumentar? Porque, como até à data, o cálculo do seu valor não estava indexado ao IAS (421,32 euros) mas sim ao Salário Mínimo Nacional (557 euros), com o aumento do mesmo, os preços iam subir. O Bloco, já há duas semanas, tinha apresentado um projeto no sentido de evitar isso. A JSD decidiu armar uma campanha afirmando que foram eles, corajosos, que evitaram este aumento. Acusam os partidos de esquerda de serem protagonistas desse aumento.

Em primeiro lugar, o aumento não foi decisão de ninguém, mas sim cumprimento de uma lei que, já agora, a Direita nunca pôs em causa até há dois dias atrás. Em segundo lugar, o que a JSD usa como argumento para atacar os seus adversários políticos é o aumento do Salário Mínimo. Ficamos esclarecidos sobre o posicionamento político dos «social-democratas» (entre muitas aspas). Em terceiro lugar, praticamente todos os partidos apresentaram iniciativas parlamentares nesse sentido – o Bloco na semana passada, o PS, o PCP, o CDS e a JSD esta semana.

Sobre a JCP e a tropa. Num momento em que as esquerdas (várias) criticam a progressiva militarização da UE, o ascenso de um discurso securitário entre os governantes europeus, esta medida só prova que não basta mudar as moscas, não basta ter um governo securitário de esquerda em vez de um governo securitário de direita, é mesmo preciso romper com as políticas da UE e ir até mais fundo, romper mesmo com a lógica que as sustenta, que é coisa que, pelos vistos, a JCP não atinge e explica muito a sua posição sobre as praxes académicas, diga-se de passagem.

Seria demagógico se dissesse que as juventudes partidárias servem somente para isto, até porque os seus partidos defendem o mesmo. Mas não podemos deixar de analisar as suas propostas e a utilidade que têm para os jovens portugueses quando somos presenteados com organizações que usam o aumento do salário mínimo como argumento para ataque político e outras que, defendendo que devemos estar todos preparados para a guerra, não acerta um tiro no alvo.

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