Abril sempre!

Por Isabel Santos

Há quarenta anos atrás os portugueses saíram à rua para participar nas primeiras eleições livres e universais e responderam em massa naquela que foi a maior participação registada, até hoje, num ato eleitoral- 91%.

Portugal tinha acabado de pôr termo a um período negro de 48 anos de ditadura e o povo acusava, de uma forma ímpar, a responsabilidade de responder ao desafio da construção de um Portugal livre, moderno e democrático.

Quiseram as voltas do destino que, exatamente no ano em que se assinala este aniversário, os portugueses sejam chamados mais uma vez às urnas num momento particularmente exigente da nossa vida coletiva.

Num quadro em que a comunicação social se encontra cada vez mais depauperada, acrítica e dependente dos grandes grupos económicos e a hegemonia partidária dos espaços de comentário televisivo atinge limites absolutamente inaceitáveis, a maioria PSD-PPD/CDS-PP prossegue a desenfreada marcha de aplicação do programa ideológico com que tem vindo a condenar o país.

O Programa de Estabilidade apresentado pelo Governo, para o qual proponho o título Para lá da Troika, depois da Troika, veio colocar definitivamente a nu o tipo propostas com que nos vão confrontar no próximo ato eleitoral: a continuação da redução dos salários dos trabalhadores da Administração Pública e da sobretaxa do IRS até ao final da próxima legislatura; a redução definitiva das pensões futuras; a redução da TSU do lado das empresas.

Enfim, a continuação da destruição do estado social, da desvalorização do fator trabalho e do esmagamento da classe média explicados com argumentos altamente contraditórios e irracionais como acontece, por exemplo, quando se justifica a necessidade de diminuição das pensões com base na necessidade de conferir sustentabilidade à Segurança Social e, ao mesmo tempo, se reduz a TSU que vem provocar a sua descapitalização. Ao contrário do que também é dito esta medida não vai promover mais emprego, compensando esta perda com mais descontos porque a descida da TSU tem um impacto praticamente nulo nos custos com mão-de-obra das pequenas e médias empresas. Esta diminuição apenas serve os grandes grupos geradores de precariedade laboral e o projeto de fragilização da Segurança Social pública com vista à sua privatização.

Diante disto, parafraseando Salgueiro Maia, atrevo-me a dizer que apenas nos resta pôr termo ao “estado a que chegamos” e construir a mudança através do voto, dizendo, de novo: Abril sempre!

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