Adversidades climatéricas

Quando fora do país, defendemos Portugal e os portugueses com toda a convicção, jamais perdendo esse sentimento de pertença à comunidade nacional, imbuídos dessa tão nossa característica, de viver uma nostálgica saudadede tudo quanto é português.

Ora, sendo intrinsecamente assim, a verdade é que quando entre nós, e por ventura paradoxalmente, mais não fazemos que elogiar os estrangeiros, e muito, os nossos companheiros da Comunidade Europeia (UE), que são sempre mais objetivos, mais eficazes, mais preparados, na gestão preventiva das suas diferentes obrigações, em especial os Nórdicos, que rotulamos de organizados, frios e responsáveis, comparativamente com os países do sul, vide os portugueses, tendencialmente laxistas, irresponsáveis, incompetentes.

Em regra, abstraímo-nos das reais diferenças existentes, das desiguais causas potenciadoras das nefastas consequências e, centramo-nos unicamente no lastro dos resultados que tais diferenças de contexto fazem operar para, exagerada e injustamente, nos acusarmos de incompetentes.

Reportamo-nos aos incêndios florestais que anualmente proliferam no nosso país, e que apesar da atenção e do esforço de várias entidades como autarquias, bombeiros e protecção civil, não conseguimos evitar de acontecer. Com certeza que nem tudo é bem feito e que há sempre falhas na estratégia preventiva, no entanto e anualmente, é preparado todo um plano de intervenção limitador da quantidade, da duração e dos efeitos dos incêndios. Algum facilitismo das pessoas, contudo, mas essencialmente as condições climatéricas, anulam drasticamente tal propósito.

A este respeito, da importância das condições climatéricas como fator potenciador da ocorrência de incêndios, constatamos o facto de ter bastado um início de verão anormalmente seco na Escandinávia (e não mais quente/seco que aquilo que é normal no sul da europa), para que os incêndios tenham proliferado, particularmente na tão preparada e competente Suécia, ao ponto de ter solicitado a ajuda da UE no concernente combate. Um país como a Suécia, organizado, prevenido e responsável, viu-se impotente, apesar dos meios disponíveis, para obviar a uma realidade climatérica tendencialmente normal em Portugal. Esta realidade é necessariamente elucidativa da particular dificuldade com que, nomeadamente os países do sul da europa, se debatem anualmente na matéria. Portanto, não somos nós países do sul, que somos mais incompetentes na gestão destes fenómenos. É o clima, é o verão acintosamente mais quente, que nos impede de fazer melhor. Veja-se o que acontece anualmente na Califórnia e na Austrália, onde os incêndios dantescos se sucedem, não constando qua tais países (no primeiro exemplo os EUA) sejam laxistas ou incompetentes na gestão da sua prevenção e combate.

Vamos então deixar de nos autoflagelarmos e de elogiar sistematicamente os outros, sempre em nosso detrimento. Muitas são as entidades que quotidianamente se esforçam por defender a segurança pessoal e patrimonial dos portugueses, pelo que, no mínimo, aquilo que lhes devemos, é o respeito pelo trabalho desenvolvem.

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