Afinal quanto dinheiro será preciso? E porquê?

Há já quase dez anos que os portugueses têm assistido, entre a incredulidade e a indignação, a sucessivos escândalos na Banca nacional. Começou com o BPN, depois foi o BPP, os problemas no BCP, o BES e o Banif. Agora ficamos a saber que também a Caixa Geral de Depósitos estará a atravessar momentos difíceis e precisará de uma capitalização. Ou seja, precisará de mais dinheiro.

Em primeiro lugar, teria sido boa ideia este assunto ser tratado de forma mais responsável. Se de facto é preciso capitalizar a CGD, então o Governo devia ter feito as preparações que achasse necessárias, e depois então anunciado as coisas ao País, deixando muito clarinho quanto dinheiro dos contribuintes ia ser preciso, e porquê.

Em vez disso, aquilo que temos são boatos, incertezas e perguntas sem resposta. Afinal quanto dinheiro será preciso? E porquê? É absolutamente incompreensível que não seja dada nenhuma explicação e que o Governo e os partidos que o sustentam tudo façam para que não haja uma resposta a estas perguntas tão básicas. Assim como é absolutamente espantoso que seja preciso fazer uma Comissão Parlamentar de Inquérito para conseguir a resposta a estas perguntas tão básicas.

Sobretudo partidos como o BE, que em comissões passadas tantas perguntas fizeram, parecem agora ter perdido completamente a curiosidade e até ter vontade de calar algumas verdades. Então se fazia sentido apurar tudo sobre a má gestão de bancos privados (e fazia mesmo), a que propósito é que não se quer apurar nada sobre um banco que é público e, logo, de todos nós? Ou partidos como o PCP, também cheios de rigor com a Banca, mas muito pouco dispostos a aplicar essas regras quando se trata da banca pública.

É vital que fique bem claro que aquilo que está a ser discutido não é, de maneira nenhuma, a privatização da Caixa Geral de Depósitos. Bem pelo contrário. Aquilo que tem que ser apurado é a gestão que foi feita daquele banco, sobretudo a sua política de crédito – muito dele aplicado em projetos completamente ruinosos. E também de quanto dinheiro estamos a falar. Não deixa de ser impressionante a facilidade com que se fala de milhares de milhões como se fosse indiferente mais um ou menos um. Isto é completamente inaceitável seja onde for, quanto mais num país como Portugal, que passou e infelizmente ainda passa por muitas dificuldades.

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