Agressão israelita à Palestina – o massacre prossegue sem fim à vista

Por vezes há momentos em que é difícil, apesar de penoso, não falar de outra coisa. À data que esta crónica é escrita, Israel continua a agredir ferozmente o povo da Palestina, através de violentos ataques militares onde o número de palestinianos mortos ou feridos já ultrapassa os oito mil e onde sobreviver se torna cada vez mais difícil. Metade das vítimas são mulheres e crianças e a maioria dos mortos, civis, contabilizam-se a partir do início da segunda fase da campanha militar lançada por Israel.
Por muito que gostasse de falar de outra coisa, bairros e localidades inteiras foram reduzidos a escombros. As Nações Unidas (ONU) estimam que mais de três mil habitações tenham sido destruídas e alertam que as escolas que gere estão sobrelotadas com a chegada de 200 mil deslocados de guerra.
Por muito revolta que cause o certo é que a ONU refere ainda que dois terços da população palestiniana carece ou não tem acesso a água potável ou saneamento básico. A escassez de combustível e a destruição de pelo menos metade das linhas elétricas oriundas de Israel agravam os problemas de fornecimento de energia elétrica. A organização Mundial de Saúde e o Comité Internacional da Cruz Vermelha também protestam contra o quotidiano ataque a centros médicos, veículos e pessoal de emergência.
Ao mesmo tempo que isto acontece dizem-nos que Israel tem «o direito a defender-se». Esquecendo, ou melhor dizendo, apagando décadas de história de um Estado que se constituiu pela usurpação das terras, das casas e da água de um povo. Querem ainda nos fazer crer que só existirá paz com o desarmamento de quem é oprimindo, ocultando que o opressor é o único país do mundo que desrespeita todas as resoluções da ONU, incluindo a que há décadas estabeleceu as fronteiras entre Israel e a Palestina.
E enquanto assistimos diariamente ao massacre de um povo ouvimos das vozes de Barack Obama, de Angela Merkel entre outros que é na resistência palestiniana que reside todo o mal, que são os «extremistas», os «terroristas» aos quais é preciso pôr um fim mas não qualificaram de terrorista nem tão pouco expressaram uma palavra quando o governo israelita bombardeou, ainda na semana passada, o maior hospital de Gaza e uma escola da ONU que os palestinianos viam como seu último refúgio. Afinal quem são os extremistas?
Enquanto Israel, com o apoio dos EUA e da UE, continuar a ser o opressor contra o movimento de emancipação nacional e social dos povos árabes e para o domínio do Médio Oriente não haverá paz.

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