Ainda se argumenta assim em Portugal

Ana Benavente escreve há dias no Público um “artigo” sobre educação. Era mais ou menos assim: o governo desde que tomou posse está a destruir a escola pública. Medidas avulsas fazem parte dum plano global para «tornar a sociedade portuguesa mais desigual» (sic). Entre as medidas apontadas estão «os exames à moda antiga» e tratar as pessoas como números.
A partir daqui a coisa começa a ficar estranha: parágrafos colados onde se salta de Franco para problemas colectivos, da CRP para a UNESCO, culminando num coelho que poderia saltar do livro vermelho do camarada Mao: «A direita odeia a ascensão social dos mais pobres através da escola». E vai daí o que faz a direita: vem com o cheque-ensino na manga, esse artifício nazi-fascista (isto já sou eu que o digo, mas enfim: perdido por cem, perdido por mil) «ligado à chamada liberdade de escolha». No fim pede a articulista que “nos” organizemos para esta luta, que a educação está a arder.
Finalmente alguém descobriu o que a direita quer verdadeiramente.
A «chamada liberdade de escolha»? Uma capa que esconde o real propósito da direita: Quando fala em adequar a educação dos filhos aos projectos educativos das famílias ou em proporcionar a todos e não apenas aos mais ricos o acesso a outras formas de escola está na verdade a congeminar o «aumento das desigualdades». Quando quer que o governo mande menos e em menos escolas está a querer pessoas «prisioneiras do medo e da manipulação pelos discursos dominantes de quem governa».  Tudo em nome, claro, do ódio que move contra a ascensão social dos “pobres” – os mesmos a quem o cheque-ensino poderia abrir portas a colégios tornados parte da rede pública. Salazar teria sonhos bastante indecentes aos pensar no bom que seria se as pessoas pudessem ir para escolas que ele não controlava. Faz sentido? Pois.
Ainda assim, Ana Benavente felizmente não descobriu tudo. Não sabe ainda das sessões em que a direita sacrifica galos vermelhos  para que Belzebub garanta mais ignorância e mais pobreza no país. Não conhece a senhora os encontros em que treinam a gargalhada maléfica que soltam de cada vez que pensam em piores escolas e piores resultados. Não falou a antiga secretária de estado da educação nas criações de gatos brancos para acariciar quando se elaboram novos planos maléficos para impedir os “pobres” de teimar em querer subir a escada social.
Ainda não destaparam a careca tapada pelo carapuço branco e bicudo que a direita guarda para os seus rituais, mas está para breve. Ainda se argumenta assim em Portugal.
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