Alertas

As últimas Eleições Europeias vieram inequivocamente demonstrar o imenso fosso existente entre as diferentes propostas/performances partidárias e a importância ou credibilidade que a população em geral atribui a tais esforços de arregimentação de apoiantes.
Com efeito é manifestamente desprestigiante para quem se assume como representante do povo e, nessa qualidade, como motor urdidor de soluções de desenvolvimento, modernidade e felicidade, deparar-se com “ratios” de participação eleitoral de apenas 1/3 do eleitorado, resultado este que mais não corresponde aliás, que ao corolário de todo um processo reiterado e crescente de “abandono” do povo, em continuar a participar do imenso logro em que os pseudo-intelectuais da política decidiram transformar a prática política em Portugal. Mas pior, esta pobre realidade ganha foros de um lastimoso dramatismo, ao demonstrar que os três partidos do chamado “arco do poder”, todos juntos, não almejam obter apenas que um pouco acima dos 50% daquele 1/3 de votantes.
A descrença é grande e, por ventura, justificada, porque os partidos políticos com real vocação de poder, não tem parado de enganar os eleitores propondo despudoradamente a água onde perdura a seca, a fartura onde singra a falta de meios. Têm vindo a empurrar com a barriga a necessidade de controlo, a exigência de um rigor mínimo nas contas públicas, descredibilizando perante os credores do país, o brio de toda uma nação.
Ora os portugueses, apesar de cada vez mais informados e, por isso, cientes do real estado das contas do país, tendo deixado de aceitar a redutora praxis de um seguidismo cego, de dizer apenas sim por razões de ideologia, começam a optar perigosamente, em sinal de protesto, por aqueles que se dizem ser, alternativas ao “sistema”, dando não só espaço mediático mas poder a quem, prosseguindo uma agenda pessoal, mais não são que meros atores populistas, sem ideologia, sem substância, portanto, sem sustentabilidade.
Estas eleições europeias foram por consequência, um primeiro e sério alerta aos partidos tradicionais, no sentido de os motivarem a definitivamente produzirem profundas reformas, não unicamente no seu funcionamento interno mas essencialmente, na forma como se apresentam ao eleitorado, incentivando-os a que reforcem drasticamente o caráter genuíno das suas propostas bem como os pressupostos de verdade com que tais propostas lhe são transmitidas. De outra forma, isto é, a manutenção de uma postura de relaxamento por parte dos partidos tradicionais, só fará ampliar o palco de uns quantos ousados interesseiros, fazendo caminhar o país irresponsável e inexoravelmente para a uma inquietante e mais que provável implosão da democracia, com todas as nefastas consequências daí emergentes para a dignidade e felicidade de todos.

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