Alterações Climáticas: O mundo exige bom senso a Trump

É hoje consensual, não só, que as emissões de gases com efeito estufa (GEE) constituem a principal causa do aquecimento do planeta, como também, que a manutenção dos níveis atuais de emissão de GEE provocará um aumento da temperatura global com impactes irreversíveis tanto para os seres humanos como para os ecossistemas.

Todos temos presente os impactes de fenómenos extremos, aliás, cada vez mais frequentes, como ondas de calor, cheias, fogos florestais ou secas, que mostram a vulnerabilidade dos ecossistemas às alterações climáticas.

É por isso que se torna urgente, tomar medidas sérias e efetivas para evitar o pior, para garantir o nosso próprio futuro coletivo.

É verdade que, ao longo do tempo e depois de anos de negociações, os países, no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, foram dando passos, ainda que tímidos, no sentido de estabelecer metas de redução de GEE, mas também é verdade que pouco se avançou.

Há cerca de um ano, a Conferência das Partes dessa Convenção, a COP 21, deu mais um passo importante, apesar da fragilidade que decorre da natureza não vinculativa das metas acordadas. Ainda assim, da COP 21, mais conhecida por Acordo de Paris, saiu uma “decisão” importante: os países acordaram em “não ultrapassar um aumento de temperatura superior a 1,5 C relativamente à era pré-industrial”.

Recorde-se que o Acordo de Paris, que entrou em vigor a 4 de novembro de 2016, foi assinado por todas as partes da Convenção (197 países) e até hoje já foi ratificado por mais de 100 países, incluindo Portugal e os EUA.

Por sua vez, a COP 22, que decorreu agora em Marraquexe, deveria debruçar-se sobre aspetos importantes, nomeadamente a negociação das regras, procedimentos, orientações e calendarização para a implementação do Acordo de Paris, a metodologia comum para a medição das emissões de GEE, a mobilização de fluxos financeiros para as alterações climáticas ou a questão das “perdas e danos”.

Sucede que chegamos ao fim da COP 22 com resultados muito pobres e sem grandes avanços nos assuntos mais importantes. A eleição de Trump e a incerteza quanto ao comportamento futuro dos EUA face ao Acordo de Paris, parece ter comprometido os trabalhos e desviado a atenção do essencial da discussão.

Agora exige-se firmeza por parte dos restantes países do mundo para que o maior emissor de GEE per capita, EUA, não dê o “dito por não dito” e não pretenda ficar de fora de um esforço que tem de ser global. O mundo exige bom senso a Donald Trump.

, ,