Andante em toda a Área Metropolitana do Porto

O passe social intermodal, uma das muitas medidas de enorme alcance social impulsionada pela Revolução de Abril, assegurou aos utentes dos transportes públicos o acesso a uma oferta diversificada e abrangente e contribuiu para reduzir os gastos familiares fixos com transportes.

Mas deu também às populações outras possibilidades de mobilidade, não se confinando às deslocações pendulares diárias, alargando essa mobilidade à cultura, ao desporto, ao recreio, ao lazer, sem que tal representasse custos adicionais para os seus utilizadores.

Entretanto, ao longo de décadas, sucessivos governos, e de forma mais acentuada o governo PSD/CDS, fizeram um caminho de crescente mercantilização dos transportes públicos, desvalorizando o setor público e visando a sua privatização; ignoraram as necessidades e o direito à mobilidade das populações, resultando em graves problemas para o sistema de transportes da AMP e para os utentes.

Os utentes dos transportes públicos vivem confrontados com as consequências destas opções políticas, assentes em privatizações e na desarticulação do sistema, cortes na oferta de transportes públicos, sucessivos aumentos de preços, ataques e descaracterização do passe social intermodal (como os que derivam da criação dos passes combinados ou com a criação do Andante).

Por exemplo, hoje existem empresas de transportes públicos que apenas estão no sistema Andante em parte dos seus percursos na AMP, deixando de fora uma parte significativa dos residentes, a quem resta uma oferta dominada por operadores privados, na maioria das vezes diminuta e cara.

Pretendendo responder às necessidades das populações da AMP, o PCP entregou na AR uma iniciativa de defesa do direito à mobilidade e ao transporte público, propondo a adaptação das potencialidades do passe social intermodal/Andante à realidade presente (designadamente com a possibilidade de um passe semanal ou quinzenal); o alargamento do seu âmbito geográfico, abrangendo mais populações, garantindo a sua validade intermodal e consagrando a sua utilização em todas as carreiras de todos os operadores de transportes de toda a AMP, salvaguardando e retomando os objetivos sociais que presidiram à criação do passe social intermodal e confirmando-o como título de transporte de acesso universal ao serviço público de transportes, de insubstituível importância socioeconómica, inegável fator de justiça social e importante incentivo à utilização do transporte coletivo.

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