António Costa com verão à prova de fogo “político”

1 – A calamidade dos incêndios tem feito deste verão um verdadeiro inferno para as populações atingidas, para os operacionais e corajosos bombeiros, e também – é justo dizê-lo – para os governantes e outros responsáveis pelo sector: proteção civil em primeiro lugar. Se dos primeiros e dos segundos já muito se disse, dos governantes o que mais temos assistido é ao rosário de acusações e críticas mais ou menos oportunistas.

António Costa não esperava, seguramente, que em ano de eleições autárquicas tivesse de enfrentar uma tão violenta época de incêndios. Todos sabemos que ainda o verão vai alto e já arderam muitos mais milhares de hectares do que no ano passado, que, por si só, já representava uma das épocas de incêndios mais críticas deste século. E sabendo-se do impacto localizado destas tragédias, é óbvio que há necessariamente custos políticos que só as urnas podem determinar.

2 – Para quem sofre na pele e na alma o efeito destas tragédias é natural que as primeiras culpas sejam sempre atribuídas a quem manda, e a quem tem o poder de decisão sobre os recursos disponíveis, sejam eles no combate direto à força devoradora das chamas, seja nos meios de ação e compensação dos danos deixados entre as cinzas. Logo, o poder político não tem como escapar ao juízo, mais ou menos compreensivo, que as populações atingidas sempre serão levadas a fazer.

Não é, pois, por acaso que se vê tanta azáfama do primeiro-ministro e de outros governantes, bem como do próprio Presidente da República, nas visitas constantes aos locais mais fustigados, quer durante os próprios incêndios, quer quando as cinzas já estão frias… Sem descurar a sinceridade do conforto que se pretende transmitir às populações, é óbvio que há em tudo isto uma liturgia política enroupada na conveniência de uma aceitável gestão das emoções, com uma boa dose de motivações ideológico-partidárias.

3 – O que se pode perguntar, perante toda a complexidade do momento, é o seguinte: terão ou não os incêndios influência visível nos resultados eleitorais das autárquicas do próximo dia 1 de outubro? Sabendo-se de antemão que a gestão de expectativas políticas está muito longe de ser uma ciência exata há todavia indicadores que nos permitem admitir que não serão os incêndios um fator de peso para os resultados das eleições autárquicas. E a sê-lo, dificilmente penalizarão o Governo…

Se é indiscutível que os incêndios têm sido verdadeiramente um pesadelo para António Costa, é igualmente verdade que as oposições não têm conseguido, nem têm forma de conseguir, chamar a si a benevolência das populações nesta matéria. Para o cidadão comum, as culpas destas tragédias vêm de longe e são repartidas por todos os quadrantes políticos, com a oposição de direita na linha da frente. Acresce que, sobretudo depois da tragédia de Pedrógão, o Governo manifesta particulares cuidados na coordenação e presença no teatro de operações. E para o bem e para o mal só existe quem é visto!

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