As calamidades são como as desculpas, evitam-se!

Depois da grande tragédia de Pedrógão Grande as desgraças continuam cá dentro e lá fora, de tal forma que não há dia algum em que não demos por nós a pensar: o que falta mais acontecer?

Prevenir ajuda a reagir é uma máxima que deveria sempre estar presente no dia a dia de quem tem a responsabilidade de gerir e decidir aos mais diversos níveis. O estado de calamidade pública decretado há alguns dias pelo governo para alguns dos territórios nacionais peca por tardio, pois, na minha opinião, já estavam preenchidos os requisitos necessários para que tal pudesse acontecer, uma vez que a maior parte desses meios já deveriam há muito estar a operar no terreno, como é o caso das Forças Armadas e das Forças de Segurança Nacionais.

Depois de se verificar que os principais mecanismos de reação têm falhado, perante o terror dos incêndios que têm assolado o nosso país de norte a sul, o que se pode constatar é que de facto os mesmos não funcionam por falta de programação, estratégia, meios, pela descoordenação total entre eles, por chefias nomeadas à pressa sabe-se lá por que motivos, por um SIRESP que não funciona, cujo contrato é da total responsabilidade do atual primeiro ministro, enquanto ministro da Administração Interna. Assistimos ao desespero de quem tudo perde num abrir e fechar de olhos mas que levou uma vida inteira a construir, sendo certo que estes estados de alma não se apagam por decreto.

No Funchal, a queda de uma árvore mata, em Barcelona, na Alemanha, na Finlândia e um pouco por todo o mundo morre-se e deixa-se morrer.

Que a morte é uma inevitabilidade sem hora marcada já todos sabemos, mas quando o terrorismo nos persegue diariamente nas suas mais diversas formas torna-se algo incontrolável e destruidor em grande escala.

O terrorismo manifesta-se em vários quadrantes societários, nos seus diferentes tipos, mas ainda assim todos eles têm algo em comum, o radicalismo e uma crescente perda de valores no que diz respeito a um dos direitos fundamentais, o direito à vida, como há já algum tempo aqui escrevi. Os atentados que se cometem diariamente têm como fim último pôr em causa a dignidade humana, mas acreditando sempre que conseguirão vencer, mas afinal de contas vencer o quê ou quem?

Não podemos permitir que motivações religiosas e extremistas, motivações económicas, de mera afirmação pessoal ou comunitária se sobreponham a valores fundamentais.

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