Associativismo na construção do futuro

As coletividades e associações locais, sejam elas do foro do Município ou mesmo de cada freguesia ou lugar, desempenham desde a sua origem um papel fundamental na vida das comunidades, tanto nas rurais como nas urbanas.

Sejam elas do foro cultural, recreativa, desportiva ou de solidariedade social, asseguram um contributo inigualável naquilo que é a construção da identidade individual e social dos cidadãos, e até na potencialidade das suas características humanas de pertença e de solidariedade.

Ao contrário do que poderíamos achar, a participação dos portugueses nas associações e coletividades é reduzida face ao que é comum noutros países da Europa, francamente associado à nossa jovem democracia. Até à Revolução do 25 de Abril, não existia o direito de livre associação, pelo que a única resistência era muitas vezes a banda de música, o grupo de teatro, o grupo coral… muito mais conotados ao convívio lúdico, e afastados dos exercícios de construção de novas cidadanias, definição de identidade local e integração social, sem suma, do exercício da democracia.

Entretanto, a quantidade e o papel desempenhado das coletividades foi-se alterando e evoluindo, e hoje em dia representam mais de metade das entidades da economia social. Se por um lado o movimento associativo potencia no seu interior e na comunidade onde estão inseridos o acesso à cultura, ao desporto, ao lazer, à solidariedade social, movimenta hoje em dia mais de 400 milhões de euros, e cria acima de 30 mil postos de trabalho diretos (dados INE).

Numa dinâmica de globalização, onde se fala cada vez mais na aproximação entre as diversas sociedades e nações existentes por todo o mundo, seja no âmbito econômico, social, cultural ou político, continua a fazer sentido realçar as coletividades e associações locais? Mais do que nunca!

É nestas associações que se potencia a transformação social, que se criam inovações transversais a muitos campos, que se fomenta o conceito do projeto comum, do exercício do voluntariado, que em suma se alavanca a cidadania.

Todos podemos participar na sua elevação. Seja na participação ativa num grupo, seja enquanto patrocinador de um clube, seja enquanto voluntário ou agente político.

Vamos continuar a apoiar o trabalho que tem sido feito, e a vontade que se sente e se nota no terreno. Vamos nós, enquanto cidadãos, unir esforços com a vontade política e ajudarmo-nos mutuamente a preservar e potenciar os nossos grupos, a nossa identidade, o futuro das nossas gerações.

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