Baralha e volta a dar

O afastamento da candidatura encabeçada por Fernando Paulo da corrida autárquica de Gondomar é o verdadeiro baralha e volta a dar.
Não tenhamos ilusões: a candidatura herdeira de Valentim Loureiro estava muito bem posicionada para voltar a ganhar a Câmara Municipal de Gondomar. Nem o PS nem a coligação PSD-CDS estava a conseguir conquistar eleitorado suficiente face a quem dominou dezenas de anos a Câmara Municipal. Não deixa por isso de ser lamentável que por uma questão formal exista esse novo facto político que afasta Fernando Paulo dos boletins de voto – e na verdade nem daí porque o candidato pode bem aparecer no boletim anulando o voto a quem teime em votar nele. Por outro lado, no entanto, a lei é clara e as questões formais assumem particular relevância nos processos eleitorais pelo que o fim da candidatura era inevitável.
Pois agora como decidirão os gondomarenses? António José Seguro tem estado muito no concelho tentando aqui salvar um resultado que no resto do distrito não oferecerá grandes razões para sorrir. As vicissitudes internas do PS têm aliás afastado alguns históricos da campanha socialista que não querem aparecer junto dum apoiante tão destacado do secretário-geral que não apoiam.
Do lado da coligação PSD-CDS uma candidatura forte de Maria João Marinho aparece agora com novo élan. No último fim-de-semana antes das eleições e de cada vez que se cruzava com a candidatura socialista, era evidente o maior e crescente número de apoiantes da coligação Gondomar Com Esperança, acompanhados por dirigentes nacionais e deputados dos dois partidos que a compõem.
Se o PSD e o CDS conseguirem juntar às suas hostes o apoio de alguns que estavam com Fernando Paulo, então Seguro pode bem ter mais um resultado amargo em Gondomar. E o que parece estar a acontecer um pouco por todo o país é que as populações sabem separar o que deve ser separado: nas eleições autárquicas não são Seguro, Passos ou Portas que estão no boletim, mas sim, como aqui, Marco Martins e Maria João Marinho. E é entre estes dois que se deve colocar a questão ao eleitorado gondomarense. Pela minha parte, olhando para pessoas como o António Aguiar ou o Rui Quelhas que acompanham a Maria João Marinho, tenho muita esperança que em Gondomar possa vencer a Esperança duma nova forma de fazer política autárquica. Porque Gondomar foi infelizmente exemplo de políticas menos claras e isso demora tempo a curar.

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