Câmara de Gondomar: navegação à vela

Navegar à vela, ao ritmo e sabor dos ventos, significa navegar sem rumo. É o que acontece na Câmara Municipal de Gondomar, governada por uma maioria PS. Quem o diz é o “Relatório de Gestão e Documentos de Prestação de Contas de 2017”depois de uma análise apurada da execução das diferentes rubricas propostas nas Grandes Opções do Plano e Orçamento para esse ano.

Mais do que um conjunto de dados informativos, estamos perante um documento que evidencia as opções políticas da maioria PS na CMG durante o ano de 2017, marcado pela realização das eleições autárquicas.

Na análise efetuada, o relatório apresentado evidencia que o PS, responsável por esta gestão, condicionou o investimento no concelho ao não ser capaz de trabalhar para uma alta execução das “receitas de capital” que se ficaram pelos 19,4%, significando isto que a maioria PS no Executivo da Câmara Municipal não foi capaz de assegurar a entrada de fundos do Orçamento de Estado e de programas comunitários ou de executar investimentos contratualizados, nomeadamente ao nível do Programa “Portugal 2020”.

Para compensar esta falta de saber, o PS seguiu o caminho mais fácil: onerar os gondomarenses com “impostos diretos” (117,2% de execução), “impostos indiretos” (150,3% de execução) e “taxas, multas e outras penalidades” (228,7% de execução). Mais uma vez fica demonstrada a opção política de penalizar sempre os mesmos, os contribuintes, para além de ficar também demonstrada a desvalorização do investimento no concelho que teve um baixíssimo nível de execução, ficando-se pelos 41,1% na “aquisição de bens de capital”. Não é por acaso que o concelho de Gondomar continua “cada vez mais na mesma”.

E se foi assim no último mandato, tudo aponta que assim será neste mandato em que o PS continua a ter a maioria na Câmara de Gondomar, não demonstrando, antes pelo contrário, querer navegar com rumo. Veja-se o que já aconteceu com o aumento de 20% do IMI, um “imposto direto” que tanto penaliza as famílias gondomarenses que detêm casa própria, muitas delas à custa de grandes sacrifícios para as pagarem. Veja-se o que aconteceu com o “imposto direto” da Derrama, cuja isenção (proposta pela CDU) para as empresas com volume de negócios igual ou inferior a 150 mil euros que criassem postos de trabalho efetivos, significaria uma medida acertada para a criação de emprego no concelho, mas que foi chumbada pelo PS. Veja-se o que aconteceu com o aumento da tarifa de RSU, que já em 2017 foi superior ao que previa o orçamento e que mesmo assim será maior em 2018. Veja-se o que aconteceu com o recurso sistemático à “aquisição de bens e serviços” (prestação de serviços) que tanto dinheiro custa ao município, prejudicando-se o investimento nos próprios serviços camarários e na valorização do pessoal.

E veja-se a “publicidade e propaganda” que em 2017, ano de eleições, aumentou 181,18% com um gasto de 499.550,74€.

E veja-se, por fim, as “Grandes Opções” desta maioria PS para o ano de 2018 em que áreas e matérias fundamentais para o desenvolvimento do concelho, como a educação, a habitação, ou a proteção do ambiente e conservação da natureza, continuam a ser negligenciadas, revelando esta opção o que há muito a CDU vem afirmando: a atual maioria PS não tem uma estratégia para Gondomar, continuando a navegar à vela em prejuízo do futuro do concelho e dos seus habitantes.

É caso para dizer que, a Gondomar, os ventos de Abril ainda não chegaram.

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