Câmara Municipal de Gondomar – Da mentira à verdade

A mentira tem perna curta e, em Gondomar, demorou pouco mais de meio ano de mandato do atual presidente da Câmara.

Como bem lembramos, o concelho, na campanha para as autárquicas, cobriu-se de outdoors que diziam que a dívida da EDP estava resolvida. No Facebook, em setembro de 2017, o presidente da Câmara, candidato a um novo mandato, dizia, a propósito do seu programa eleitoral, que o mesmo era, “Um programa realista e exequível, agora que as finanças do município estão mais saudáveis!!!”. Souberam bem aos gondomarenses estas palavras… Mas, afinal, a verdade é outra: Gondomar continua em situação de endividamento excessivo. E a dívida à EDP não está resolvida, apesar do acordo em vigor ter aspetos positivos. Fosse a Lei das Finanças Locais a preconizada pelo PCP e muitos destes problemas seriam resolvidos valorizando-se o Poder Local. No entanto, a maioria PS na Câmara parece não ter solução para a situação, nem mesmo com o castigo que infligiu aos gondomarenses com o aumento do IMI.

E não vale atribuir culpas ao Tribunal de Contas. As regras eram claras e o Presidente da Câmara tinha obrigação de as conhecer quando usou esta “estratégia” para ganhar os votos dos gondomarenses.

O que vai acontecer agora? Como vai continuar a garantir o investimento tão necessário ao concelho? Que “gorduras” vai cortar?

Todos sabemos que se a Câmara for sujeita a um saneamento financeiro, os gondomarenses irão sentir na pele o aumento dos impostos, pois não lhe será permitido jogar com os valores mínimos e máximos permitidos por lei. Então o que vai ser feito?

Antes de mais, um pedido de desculpas aos gondomarenses pela mentira da campanha. É o que deve ser feito por qualquer político que se dê ao respeito. E, depois, criar condições para se encontrarem soluções, ao nível de toda a Câmara (não só a maioria que a tem governado) para que o investimento continue a ser feito de forma priorizada e com todo o rigor necessário.

É preciso repensar a forma como muitas festas no concelho são projetadas. O que traz de desenvolvimento para Gondomar eventos feitos com recurso constante a grandes empresas de prestação de serviços de lazer, em vez de se envolver as forças vivas do concelho, valorizando as suas dinâmicas próprias e diversas? Justifica-se um aumento de 180% em publicidade (cerca de 500 mil euros em 2017)? Foi por ser ano de campanha eleitoral? O que traz de desenvolvimento para o concelho a realização de grandes espetáculos de entretenimento em vez de uma aposta séria na Cultura? O que deixou de verdadeiramente útil para o concelho a promissora “Capital do Desporto” com gastos de mais de um milhão de euros quando não se soube aproveitar o evento para a criação de infraestruturas desportivas para os nossos atletas? Temos mais jovens a praticar desporto nas condições exigidas? Temos as Associações com melhores instalações e mais preparadas para dar resposta ao desporto associativo? Temos mais equipamentos desportivos públicos de livre acesso? Nada. Deixou muito foguetório, muitos eventos e muitas fotografias com os “artistas” do costume, transformando-se numa oportunidade perdida.

A CDU não aceitará as velhas desculpas de que não há dinheiro para investir nas necessidades do concelho enquanto se continuar a esbanjar recursos financeiros e humanos em foguetórios que mais não trazem do que a ilusão de que em Gondomar se faz muito, quando, na verdade, muito pouco se faz.

A Câmara está em situação financeira difícil e a CDU está pronta a participar nas soluções que devem ser encontradas. Mas não passaremos cheques em branco. A estratégia tem de ser concertada entre todas as forças políticas que tiveram os votos dos gondomarenses. Só assim daremos dignidade à política.

, ,