Censuramos o governo, prosseguimos na luta!

Passou pouco tempo sobre as eleições para o Parlamento Europeu e são já visíveis os efeitos dos seus resultados sobre os partidos da troika. Resultados que confirmaram também a condenação da política das troikas. Uma condenação expressa na redução da expressão eleitoral dos três partidos – PS, PSD e CDS-PP – que subscreveram, apoiaram e se propõem manter o rumo de exploração e empobrecimento, e que no seu conjunto viram a sua votação reduzir-se, passando de 66,6% em 2009 para 59,1% agora registados, perdendo mais de 400 000 votos.
Face a ilegitimidade social do Governo que foi censurado na rua e censurado nas urnas, o PCP apresentou na Assembleia da República uma moção de censura que foi discutida e votada no passado dia 30 de maio e que, apesar da esperada rejeição, não deixou de constituir um importante momento acusatório contra o Governo responsável pela política de empobrecimento e de exploração mais retrógrada e agressiva desde o 25 de Abril.
Paralelamente à pesada derrota eleitoral veio juntar-se a derrota infligida pelo Tribunal Constitucional ao Governo obrigando à reposição dos cortes nos salários dos trabalhadores da Administração Pública, das reduções nas pensões de sobrevivência e da contribuição sobre os subsídios de desemprego e de doença.
Derrotas a que o Governo e os partidos que o suportam deviam entender que o rumo a seguir deve ser outro mas no entanto respondem com uma brutal ofensiva ideológica num repudiante ataque ao Tribunal Constitucional e à Constituição da República Portuguesa. Numa clara manobra de diversão, pretende apresentar como antipatriotas e subversivos os defensores da legalidade democrática que a Constituição consagra e como defensores da Lei e dos interesses do País os que subvertem, de facto, a Constituição, para servir os interesses do grande capital.
Numa desesperada corrida contra o tempo que, como estas eleições mostraram, pode não ser longo, o Governo dirige agora ataques contra a contratação colectiva, contra os salários, contra as autarquias locais, contra as escolas, contra os direitos das populações a serviços públicos de qualidade e descentralizados (a que o provável encerramento da Segurança Social de Rio Tinto é exemplo e que mereceu, oportunamente, que o Partido Ecologista “Os Verdes” questionasse o governo) que a todos assegurem o acesso às funções sociais do Estado.
Sabendo que a permanência do atual governo e o prosseguimento da sua política põe em causa o futuro do país, prosseguimos na luta.

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