Chegou o tempo da mudança de políticas?

As eleições legislativas do passado dia 4 de outubro potenciaram uma verdadeira reviravolta no nosso quadro político. Se à direita parece reinar o desconforto e o pânico, à esquerda renasce a esperança de quebrar este já longo ciclo de políticas que conduziram o País á triste situação que hoje vive.

No meio do conjunto das leituras e das opiniões que todos os dias nos vão chegando, não podemos fugir de dois elementos que nos parecem evidentes. Por um lado que os Portugueses condenaram de forma muito clara as políticas de austeridade e de empobrecimento levadas a cabo pela coligação PSD/CDS, que perdeu 700 mil votos, e por outro lado, que esta censura materializa uma vontade de mudança por parte dos Portugueses.

Ora, considerando o novo quadro saído das eleições e a atual composição da A.R. torna-se claro que os partidos que se comprometeram com uma mudança de políticas, detêm no seu conjunto, a maioria dos deputados. Seria assim, irresponsável, não atender a este novo quadro parlamentar, como se não tivesse havido eleições e como se tudo se mantivesse igual.

Bem sabemos que os partidos que se comprometeram com as políticas de mudança assentam em propostas políticas diferentes, têm programas eleitorais diferenciados e avançam de pontos de partida também diferentes. Ainda assim, e face à emergência de pôr fim às políticas de austeridade, Os Verdes manifestaram desde a primeira hora a sua disponibilidade para discutir um programa de Governo sustentado em políticas alternativas, capaz de quebrar o ciclo de empobrecimento e de travão ao desenvolvimento ambiental, social e económico do país.

Com esse propósito Os Verdes, não só, apresentaram ao Partido Socialista, um conjunto de matérias que consideram necessário colocar em cima da mesa, com vista à discussão de um programa de governo que garanta uma política diferente, sem que essas matérias constituam qualquer condição da nossa parte, como também manifestaram a sua disponibilidade para continuar a dialogar e a procurar soluções que garantam futuro ao País e aos Portugueses.

Assim e face à disponibilidade dos Verdes, bem como dos outros partidos à esquerda, o tempo da mudança de políticas só não chega agora se o Partido Socialista não estiver para aí virado, porque se estiver, e simultaneamente não faltar bom senso à Presidência da República, já que do ponto de vista constitucional não há sequer qualquer debate sobre a legitimidade de uma opção pela esquerda, poderá ter chegado o tempo de mudar de políticas.

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