Cheira a campanha

António Costa anda a pregar aos sete ventos que este Governo fez retroceder o país décadas em vários indicadores: uma década no risco de pobreza, duas no emprego, três no investimento e quatro na emigração.

Costa tem razão numa coisa, nos últimos anos o país não pôde progredir e nalguns indicadores retrocedeu para números de anos passados. Fica por dizer, no entanto, que isso acontece num clima em que tivemos de subir a carga fiscal após vários cortes na despesa terem sido declarados inconstitucionais, tudo com o objetivo de tirar o país da bancarrota em que o partido que o Dr. Costa lidera nos deixou. E se o país andou, nesse sentido, para trás, porque foram precisos grandes esforços para arrumar as contas públicas, então vale a pena olhar para onde estávamos quando José Sócrates perdeu as eleições em 2011.

Se no que diz respeito ao risco de pobreza, nos encontramos hoje ao nível de 2004, em 2011 já havíamos recuado a níveis de 2006. Se no emprego hoje vemos níveis de 1997, em 2011, já tínhamos chegado aos números equivalentes a 1998. O investimento que hoje mostra níveis de 1989, com José Sócrates ao leme do governo, mostrava níveis de 1992. E a emigração do ano de 2010, último ano completo da governação socialista, equivalia aos números de 1969.

E o que nos dizem estas datas? Que de facto atravessámos um período difícil. Mas ao contrário de 2010/2011 os níveis de hoje não aparecem inflacionados por um excessivo endividamento público além de que a tendência é favorável ao contrário do que era quando o PS estava no Governo.

É certo que a campanha eleitoral já começou. Vale a pena olhar com atenção para o que diz o presidente em part-time da maior Câmara Municipal do país.

,