Cidadãos viram costas às ameaças políticas

1 – Depois dos festins em torno da vitória de Portugal no campeonato europeu de futebol, o país ativo desacelerou os motores, e entrou em módulo de “ralenti”, preparando-se para o mês maior de férias, festas e romarias. Agosto é, por natureza, o mês em que poucos se dão ao trabalho de pensar em coisas tristes, e muito menos em ameaças de natureza política, ou mesmo económico-financeiras.

Bem podem bradar os políticos que ficam de fascina que tudo corre bem, ou que se aproxima uma grande tempestade. A verdade é que ninguém está disposto a dar-lhes ouvidos. Nem a uns, nem a outros… Seja porque ainda não sentem nem as ameaças nem as melhorias, seja porque estão cansados de profecias contraditórias, decididamente a maioria dos cidadãos virou costas às ameaças de nova crise, de sanções, ou do que quer que seja.

2 – Mas haverá razões para temer o futuro no curto prazo? Se a resposta for dada por qualquer membro do Governo dir-nos-ão que não há razão para temer; se ouvirmos algum político da oposição, a resposta será que o país caminha para um beco sem saída; se a resposta for dada por um eurocrata qualquer, ouviremos dizer que as incertezas são de enorme amplitude, e que tudo pode acontecer…

Todos sabem que os bancos portugueses estão falidos, na maior parte dos casos. E os que escapam à tempestade do crédito mal parado sofrem de outros problemas graves, ou estão sob a ameaça dos estilhaços dos que atravessam graves estrangulamentos de capital. É por tudo isto, e por outras incertezas, que os investidores preferem aguardar para ver onde poderão ou não investir o seu dinheiro, e criar emprego.

3 – Em bom rigor, só lá para o outono é que as grandes dúvidas sobre a saúde da “geringonça” que assegura o apoio parlamentar ao Governo será verdadeiramente avaliada. Ou seja, a apresentação no Parlamento do Orçamento do Estado para 2017, que obrigatoriamente terá de acontecer até 15 de outubro, será o momento crucial. Há quem vaticine o pior, como há quem considere que nada de novo irá acontecer.

Sejamos claros: o Governo terá de prestar vassalagem a dois senhores. Cá dentro à coligação de esquerda que o apoia; lá fora aos directórios da União Europeia que não cederão um milímetro no que se refere ao défice. É neste equilíbrio de forças que tudo se vai decidir. Mas, valha a verdade, António Costa pode muito bem dizer não a uns e a outros, e optar por passar a bola aos portugueses. Que é como quem diz, querer ir a votos…

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