Cirurgias, um tratamento seguro?

Por Paulo Amado

Perante a necessidade da realização de uma cirurgia, para o tratamento de uma doença, deformidade ou fratura, interrogam-se o doente e o médico, quanto aos riscos desse mesmo ato cirúrgico. É óbvio que, o que o doente espera do seu cirurgião, é que o mesmo garanta à cirurgia em causa 100% de êxito, algo não poderá garantir, ou não o deverá, em consciência. Costumo dizer, que o tratamento cirúrgico de uma patologia será sempre uma opção final após terem falhado todo o tipo de tratamentos conservadores, ou seja fisioterapia, medicação, infiltrações, etc. Como tal, optando-se pelo tratamento cirúrgico, o mesmo terá de ter uma percentagem de sucesso o maior possível, perante os múltiplos fatores em causa, nem todos dependentes do cirurgião, entidade máxima de responsabilidade, numa equipa cirúrgica. Imaginemos, por exemplo, que um instrumento é usado pelo cirurgião e o mesmo não esteja devidamente esterilizado, óbvio que poderá causar uma infeção nesse doente, levando a um insucesso dessa mesma cirurgia.

O ato cirúrgico também é dependente da destreza e experiência do cirurgião e mesmo assim, poderá não ter o sucesso esperado, pois algo na cirurgia poderá não ter corrido como esperado. Por tudo isso, o sucesso cirúrgico, mesmo de uma cirurgia menor, está dependente de uma percentagem, que se pretende o mais alto quanto possível. Este fator leva por vezes à confusão dos doentes sobre o que é negligente e o que será um ato cirúrgico não conseguido na sua totalidade.

É diferente uma cirurgia em que o cirurgião em causa provoque inadvertidamente uma lesão ou execute uma técnica para o qual não esteja habilitado. Isso sim será negligência, que poderá ser condenada.

Hoje em dia os procedimentos cirúrgicos protocolados, rigidamente seguidos pelas equipas de cirurgia, diminuem o grau de riscos e insucessos, mas nunca os evitarão por completo.

Enfim, por isso a decisão da realização uma cirurgia deverá ser um opção tomada pelo médico e pelo doente em comum, mas numa consciente, responsabilidade de ambos, cada um no seu papel.

Não acreditem em explicações fáceis e demagógicas, saibam ser críticos, senão serão sempre os habilidosos a vencer.

Diz um colega mais velho do que eu, com uma longa experiencia na Ortopedia, “ O bom cirurgião não é só o que executa bem a cirurgia ou que dá as boas indicações cirúrgicas, mas aquele que sabe distinguir o doente que não deve ser operado”.

Até breve, estimados leitores…

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