Cofres cheios à custa de mais austeridade

Por Rui Nóvoa

Há dias os portugueses foram brindados pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, ao afirmar que Portugal tinha os cofres cheios, dando-se ao luxo de antecipar o pagamento dos juros ao FMI, o oásis estava de volta!

Mas eis que, no debate quinzenal no Parlamento, Passos Coelho deitou tudo por terra. Afinal a austeridade é para continuar até 2019 se tudo correr bem, logo, para que as coisas corram bem há que aplicar novos cortes nos do costume que é como quem diz, nos que trabalharam uma vida e em vez de terem alguma qualidade de vida são empurrados para a pobreza.

Conforme o Bloco de Esquerda disse no debate parlamentar, o que a senhora ministra das Finanças nos apresentou ontem, e o que o sr. primeiro-ministro nos veio dizer é que, aquilo que fizeram falhou.

Não são só as medidas de austeridade que vão continuar, como ainda por cima vamos ter uma austeridade redobrada, pois haverão novamente mais medidas de austeridade.

Passos Coelho chegou ao Parlamento com a trajetória de crescimento dizendo que, quer cortar mais 600 milhões de euros nas pensões, valor próximo daquele que foi chumbado em 2013 pelo Tribunal Constitucional.

Perante isto, a pergunta que os portugueses fazem é a seguinte: então em que é que se distingue o país dos cofres cheios do país dos cofres vazios?

É nos bolsos das pessoas, no que conta ao respeito pela dignidade de quem trabalhou toda uma vida e que a única resposta que tem do Governo PSD/CDS é voltar a cortar nas já muito magras reformas.

Onde anda o partido do dr. Paulo Portas que, tanto falava dos reformados mas que, uma vez no poder, logo se esqueceu deles, apoiando o governo em mais cortes?! Não nos venham dizer que os sacrifícios são para todos, ainda agora Passos Coelho e Paulo Portas vieram propor a descida de duas sobretaxas e a que é paga por quem trabalha desce 25% mas a que é paga pelas grandes empresas de energia, essa desce 50%.

Não vê aqui o PSD/CDS, nenhuma desigualdade na distribuição desses sacrifícios, pois para este Governo o privilégio é o salário.

A realidade deste governo é que cada vez que faz uma promessa às empresas, faz uma ameaça a quem vive do trabalho. Nos próximos dias 25 de abril e 1 de maio o povo português tem de dar-lhes um enorme cartão vermelho!

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