COLIGAÇÃO

Por Pedro Moura de Oliveira

Depois de quatro anos absolutamente impróprios para cardíacos com o país a passar pela sua mais arrepiante crise económica e financeira, com a austeridade no seu mais profundo patamar de sempre, com a governação na primeira fase do mandato aos soluços, por inadequada correlação de poder entre os partidos da maioria (corrigida apenas a meio do mandato com o “irrevogável” episódio), a verdade é que a atual maioria soube ter o engenho e a arte de levar pela primeira vez, uma legislatura partilhada até ao fim.

Foi pois, um processo sinuoso e desgastante, mas simultaneamente desafiante para as hostes da maioria, porque necessariamente implicou por um lado, o fim de um inusitado ciclo de várias décadas de descontrolo das contas públicas, em que se endividou o país até ao impensável tantas vezes com projetos de assaz duvidoso mérito. Por outro lado, tal processo obrigou a alguma capacidade de resistência, porque sendo moroso e bastante castrador de direitos adquiridos, levaria muitos a moverem-se para o lado mais fácil da crítica e daqueles que populistas reiterariam a mesma capciosa receita do passado.

Hoje com as finanças reestruturadas e a economia reordenada o país começa a dar sinais de crescimento e os portugueses, apesar de não sentirem ainda “no bolso” a substância da recuperação da crise, percebem que a realidade é manifestamente diferente da existente há quatro anos, “respirando” uma genuína esperança que de há muito não sentiam.

Neste contexto e com a pré-campanha eleitoral a começar bem cedo, necessariamente que aos partidos da maioria não restava outra alternativa que concorrerem coligados às próximas eleições. Ainda houve, em cada um dos partidos, quem opinasse no sentido de candidaturas autónomas, como se fosse possível resultar alguma mais-valia para cada um deles em tal decisão.

Com efeito não só se justificaria a coligação para potenciar o método d´Hondt nos resultados eleitorais, como se tornaria impossível salvaguardar a união governativa com os dois partidos a lutarem, na sua base, pelo mesmo estrato eleitoral. Seria o caos governativo e o suicídio da própria coligação, com todas as consequências desastrosas nos resultados eleitorais de cada um.

Com a assunção da coligação ficou clarificada uma importante vertente do cenário eleitoral que se avizinha, e recentrou a direita a dinâmica essencial do seu discurso político, ou seja, bem justificar a ingência da pesada austeridade dos últimos quatro anos e perspetivar o exercício do próximo mandato numa base bem mais confiante e consequente, rumo a um crescimento económico que urge tornar-se estruturante e á retoma de direitos suspensos cujo procedimento se impõe ser acelerado.

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