Começou a época balnear

Gondomar tem uma extensa frente ribeirinha, banhada pelo rio Douro, abrangendo oito das suas 12 freguesias. Em quase todas elas há areais utilizados pelas populações em época balnear em condições de grande precariedade e de perigo para a saúde pública, dada a falta de condições para a classificação desses espaços como praias fluviais.

Na verdade, a praia da Ribeira de Abade e a de Gramido, em Valbom, a de Marecos, em Jovim, e a de Esposade, em Foz do Sousa, não estão classificadas como praias fluviais, carecendo das condições necessárias para tal. No entanto, é sabido que todos os anos esses espaços são intensamente frequentados e usados como “praias” por um número considerável de famílias gondomarenses que aí passam as suas férias e momentos de lazer.

Para além destes lugares, não classificados, há, ao longo da margem do Douro, três zonas que, reunindo as condições necessárias, obtiveram, num passado recente, a classificação de praia fluvial, nomeadamente a praia da Lomba, a de Melres e a de Zebreiros.

Nesta última, foi feito em 2015 um grande investimento pela Câmara Municipal, que reconhecemos, resultando na criação de um espaço ordenado e dotado de condições próprias à prática balnear. No entanto, este ano, a praia perdeu essa classificação devido à alta contaminação da água por bactérias coliformes, tendo sido interditada a banhos.

Inexplicavelmente, desvalorizando esta interdição, a Junta de Freguesia, por incumbência da CMG, instalou a rede delimitadora da zona de banhos como se tudo estivesse bem, podendo levar os utilizadores a desvalorizar a interdição e a pôr em risco a sua própria saúde.

Tendo em conta que já ano passado existiu um episódio de contaminação, apesar de não tão grave, pergunta-se: o que fez a CMG desde o ano passado até agora para prevenir e remediar esta situação? Já foram feitas as ações necessárias para perceber qual a origem da contaminação? Há alguma ação concreta para avisar os banhistas dos perigos que correm? E nos restantes espaços não classificados, o que tem feito a CMG, para impedir que os gondomarenses sejam expostos a condições que põem em risco a sua saúde?

Ano após ano e em momentos decisivos para a vida dos gondomarenses, a CDU tem vindo a reclamar e a apresentar propostas para a revitalização e infraestruturação destes espaços, de forma a que possam ser usufruídos sem representarem um perigo para a saúde dos utilizadores. É necessário um investimento contínuo e concertado com as entidades responsáveis pela qualidade da água e do ambiente; é necessário investir no correto funcionamento das ETAR que debitam as águas residuais para o rio; é necessário um trabalho contínuo e permanente de manutenção das condições de segurançae higieno-sanitárias.

Como se pode ver pelo exemplo de Zebreiros, não chega gastar o dinheiro e fazer a inauguração. É preciso um trabalho contínuo e uma intervenção sistemática e sistematizada. Se assim não for, é dinheiro deitado fora. Este ano ficamos sem a praia de Zebreiros e, se não se trabalhar de outra forma, acabaremos por ficar sem praias classificadas em Gondomar.

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