Confiança

Dois mil e quinhentos caracteres é muito pouco para tudo o que haveria a dizer no final de 2014. Mais do que as linhas importa a subtileza das entrelinhas repartidas por cinco pontos.

1- Os 90 anos de Mário Soares: Gosto de gente com sangue a correr nas veias, de seres profundamente humanos, com defeitos, que não se cansam de fazer da política uma arte. Num tempo dominado pelo plástico do politicamente correto, Mário Soares ultrapassou, há muito, a dimensão da simples existência transformando-se num símbolo coletivo que todos os dias nos interpela. Espanta-me o desacerto de alguns na interpretação das suas atitudes. De Mário Soares, concordemos com ele ou não – eu já discordei algumas vezes – apenas se pode esperar coragem e inspiração. Sim, duas coisas que marcam a diferença entre um político e um grande político.
Longa vida, Dr. Mário Soares!

2- Onze milhões de turistas: Até ao final do ano assinalaremos a visita de onze milhões de turistas. Já ultrapassaram o número de habitantes. Uma boa notícia que confirma a aposta estratégica no potencial turístico do nosso país. Agora é preciso não adormecer e alargar horizontes.
Portugal também é mar, floresta, energias renováveis, conhecimento, inovação, e muito mais… esquecer isto é negar o futuro.

3- E depois da Troika: “O exterminador implacável” é o título de um filme que poderia servir perfeitamente para denominar este Governo. Finalizado o período tutelado pela Troika, a maioria PPD-PSD/CDS-PP continua determinada na tarefa de não deixar pedra sobre pedra.

Não perderei tempo a discutir o texto do memorando, embora o pudesse fazer. O que importa é que os encaixes financeiros resultantes da venda de ativos já atingiram o objetivo estabelecido. Alienar mais este ativo estratégico é uma opção deste Governo que deve merecer a mais enérgica oposição de todos nós. Não haverá desculpa. Não nos TAPem os olhos!

4- O Senado americano divulgou o resultado da investigação ao Programa de Interrogatórios da CIA: Sem lições para o futuro o passado não vai além de uma simples memória. O conhecimento deste relatório deve convocar-nos, sobretudo, a uma reflexão em torno dos perigos que constantemente nos espreitam… os atropelos ao Estado de Direito podem ocorrer a qualquer momento, mesmo nas democracias mais consolidadas. Alerta!

5- Confiança: Escolho esta palavra como um voto de esperança para 2015. Desejo que possamos manter a confiança em nós e no mundo. Feliz Ano Novo!

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