Contra as adversidades

No último texto, enalteci algumas das iniciativas levadas a cabo pelo executivo da nossa autarquia, que num espaço de oito meses, muito já fez para elevar o nosso concelho.
Pese embora a gratificação do trabalho feito, penso ser pertinente dar a conhecer aos gondomarenses as condições difíceis em que estas medidas foram tomadas. Não só para as valorizar, mas também para justificar alguns projetos que ainda não puderam ser postos em prática.
Era previsível que, quando o executivo eleito em setembro de 2013 tomasse posse, fosse encontrar uma autarquia despreparada, desatualizada e inerte. O que era mais difícil de antecipar eram as castrações orçamentais, advindas de processos judiciais, e que limitam o raio de ação de quem quer fazer pelo município.
É importante que os cidadãos saibam que a Câmara Municipal de Gondomar é réu em cerca de 400 processos judiciais, processos esses herdados do executivo anterior.
Proveniente destas ações, a autarquia tinha uma dívida de 4,8 milhões de euros em outubro de 2013, advinda de um reequilíbrio financeiro à empresa concessionária do Mercado da Areosa. Aliás, no dia seguinte à tomada de posse do novo executivo, as contas da Câmara encontravam-se penhoradas, facto decorrente desta decisão judicial. Valeu o esforço e sensatez da nova equipa, que encetou negociações e chegou a acordo para o pagamento inferior e faseado.
Já em abril deste ano, nova condenação de 1,5 milhões de euros a um particular que foi mal ressarcido de uma expropriação, no âmbito do programa Polis, há cerca de seis anos. Na altura, a autarquia indicou um valor compensatório de 400 mil euros, que o Tribunal provou ser muito inferior ao que o proprietário deveria receber. O erro custou 1,5 milhões de euros, o tempo em julgamento, 200 mil euros em juros.
Decorre ainda em execução fiscal um processo de devolução de fundos sociais europeus, no valor seis milhões de euros que data de 1999. Não obstante a apresentação de recurso por parte da Câmara, o mais provável é o pagamento efetivo.
O ideal seria que, no dia 29 de setembro de 2013, tudo fosse apagado e Gondomar começasse do zero. Mas o mundo não é idílico, e a realidade foi corajosamente encarada e enfrentada.
Penso que é evidente para a população o esforço que esta equipa tem feito para cumprir com as várias propostas de campanha. Por isso, mais valor se deve dar a estas conquistas, tendo consciência que advêm de muito trabalho e de uma luta diária contra muitas adversidades.

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