Controlo público da banca, uma urgência que se impõe

A natureza danosa que tem marcado a gestão da banca, tendo como único objetivo a distribuição máxima e rápida de dividendos pelos acionistas, permite-nos ver que os bancos privados estão cada vez menos interessados no apoio à economia nacional e cada vez mais interessados em continuar o caminho que facilita a evasão fiscal e o branqueamento de capitais, prosseguindo a especulação e removendo qualquer utilidade social às poupanças dos cidadãos.

Neste contexto, fazer renascer um importante setor público financeiro não é apenas um desafio, não é só uma opção, é uma condição absolutamente imprescindível para promover o progresso económico e social do nosso País. É um elemento decisivo para combater a especulação financeira, potenciar a reserva desses recursos para o investimento produtivo e direcionar a política de crédito para onde deve estar direcionada: para a economia, para o desenvolvimento do País e para melhorar as condições de vida das pessoas.

Se olharmos para aquilo que foi a nossa história recente percebemos que as decisões de vários governos em entregar a banca aos privados representaram erros monumentais.

De facto, a privatização do setor financeiro destruiu valor e fez desaparecer riqueza que era de todos. Se foi bom para engordar as fortunas de uns poucos, representou, ao mesmo tempo, volumosos prejuízos acumulados para o Estado e para as famílias portuguesas.

E hoje vemos os resultados dessas decisões de alienar a banca: são os portugueses, os reformados, os trabalhadores, os desempregados e o Estado social que são chamados a pagar a fatura para acudir a um setor que literalmente se demitiu da responsabilidade de potenciar a economia e de ajudar as famílias. E não estamos a falar de uns trocos, estamos a falar de milhares de milhões de euros.

É uma injustiça e é muito dinheiro. São muitos milhões que fazem falta à nossa economia e ao nosso aparelho produtivo. São muitos milhões, que hoje ninguém sabe onde estão, ninguém sabe onde param.

É, portanto, tempo de direcionar recursos para a nossa economia, para investir na nossa produção, para criar riqueza e postos de trabalho.

É tempo de transformar a banca num elemento construtivo para a justiça social. E, sobretudo, é tempo de travar a monstruosidade moral que representa obrigar os contribuintes a tapar os buracos criados pela irresponsabilidade dos banqueiros.

Mas por mais voltas que dermos, estes propósitos só serão possíveis com o reforço e a recuperação do controlo público da banca.

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