Crise interna na liderança do PS será trágica para Passos Coelho

1 – Já toda a gente percebeu que as eleições europeias foram fatais para o futuro político do líder socialista, António José Seguro. Sendo certo que a coligação governamental averbou uma estrondosa derrota, a verdade é que o PS de António José Seguro não conseguiu capitalizar o descontentamento dos eleitores, averbando apenas cerca de cem mil votos acima da coligação. Os portugueses optaram antes por repartir os seus votos de protesto pelo Movimento Partido da Terra que deu abrigo a António Marinho Pinto, pelos comunistas sob a tradicional sigla da CDU, pelos votos brancos e nulos, e também por uma desconcertante abstenção. O PS, embora ganhando as eleições, ficou por uma diferença de pouco mais de três por cento em relação à coligação

2 – A rebelião socialista não se fez tardar, com António Costa a manifestar a sua disponibilidade para assumir a liderança do PS. Seguro ficou em estado de choque, e os seus mais próximos nunca mais sossegaram. Uns e outros tentaram tudo para desmoralizar o presidente da Câmara de Lisboa. Mas António Costa tem-se mostrado imperturbável, e disposto a jogar tudo para chegar à liderança do partido. Seguro ensaiou a fuga para a frente, agarrando-se ao poder com todas as suas forças, e desencadeando um processo atribulado de eleições internas para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro, num processo em que poderão votar não apenas os militantes do PS, mas também os simpatizantes. Ora, para quem nem dentro de portas consegue um amplo consenso, é mais que evidente que no universo dos votantes socialistas Segura ainda terá menos apoios.

3 – Ao optar, finalmente, por marcar eleições primárias para o final de Setembro, Seguro oferece de mão beijada um longo período de campanha ao seu adversário interno, que poderá assim, durante quatro meses, capitalizar tranquilamente dentro e fora das hostes socialistas. Seguro, ao ver-se soçobrar nas ondas da tempestade interna, agarrou-se à primeira tábua, sem a lucidez de perceber que é essa mesma tábua que lhe servirá de caixão. Mas não será apenas António José Seguro que será engolido nesta voragem política. Também a coligação no poder pagará muito cara esta crise interna do PS. É que quando António Costa chegar ao cadeirão do poder no Largo do Rato estaremos a menos de um ano de eleições. E Costa estará fresquinho como uma alface, a vender uma grande esperança aos portugueses. Enfim, quem tem que se preocupar com o folhetim socialista já não será António José Seguro, mas antes Pedro Passos Coelho…

, ,