Crónica de um verão que se anuncia quente

1- Moedas
Pedro Passos Coelho indicou Carlos Moedas para o cargo de Comissário Europeu. É, sem dúvida, uma opção legítima dentro da lógica da confiança política, mas fica muito aquém do que seria expectável e, mais do que isso, do que seria exigível.
Corre a notícia de que Jean Claude Juncker terá pressionado para que a opção recaísse sobre a Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, mas tal não aconteceu e é mesmo compreensível que Passos Coelho, nesta fase do mandato, não queira abrir mão da sua participação no Governo.
Contudo, é evidente que havia outras e melhores opções e Maria João Rodrigues era, sem dúvida, uma dessas opções.
Só a miopia provocada pela partidarite aguda explica esta opção.
Comparar Carlos Moedas com Maria João Rodrigues é a mesma coisa que colocar uma tartaruga e um Ferrari a competir para ver quem chega primeiro.
No meio disto tudo não se percebe para que serviu a conversa entre Seguro e Passos Coelho para discutir o assunto.

2- O BES
O buraco em que o BES ameaça transformar-se trouxe a intranquilidade a milhares de portugueses e ameaça agitar o verão.
A solução do problema não será fácil, mas se há que combater eficazmente o perigo que o risco sistémico representa por outro lado não se pode deixar de chamar os acionistas a assumir cabalmente a sua responsabilidade.

3- Eleições Primárias
O PS entrou num processo de escolha do candidato que indicará para o desempenho da função de primeiro-ministro em 2015.
Um processo inovador que poderá marcar o caminho a fazer por outros partidos caso seja bem sucedido.
Boa parte desse sucesso dependerá do nível da adesão dos simpatizantes para o qual é fundamental  o debate com os militantes e com os muitos cidadãos sem filiação partidária que as candidaturas procuram seduzir.
Absolutamente demolidor poderia ser: a tentação aparelhística de manipulação do processo a qual parece controlada pela intervenção da Comissão Eleitoral presidida por Jorge Coelho; o facto de o processo de campanha se arrastar por um prazo demasiado alargado; os excessos de discursos.
Espero, sinceramente, que a ‘silly season’ não se apodere do processo.
Aconteça o que acontecer, uma coisa pode ser desde já dada como certa, até 28 de setembro teremos os candidatos a correr o país, à conquista de apoios num verão que não lhes deixará grande espaço para férias e que será, forçosamente, quente para o PS.

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