Da promessa ao desbarato à fuga ao debate

1. À medida que a data das eleições legislativas se vai aproximando, é curioso ver como o Governo se desdobra em inaugurações, na aprovação de programas que não concretizará e no anúncios de obras que não sabe quando começarão. Enfim, um autêntico “foguetório” eleitoral. Há dias em que ao assistir aos telejornais se tem a sensação de viver no mais absoluto estado de delírio. O Governo que arrasou o complemento solidário para idosos, fez cortes nas pensões, reduziu os serviços de saúde, encerrou serviços públicos de proximidade vem agora, a correr, apresentar um pacote de medidas de proteção aos idosos que, por força do calendário eleitoral, não irá implementar. O Governo que abandonou a recuperação dos edifícios escolares e tão mal tratou o ensino artístico, anuncia, agora, obras no Conservatório Nacional, apesar de não ter sequer previsão da data do seu começo. Poderíamos continuar numa lista infindável de casos que despertam o riso, mas não há necessidade.

2. A radicalização à direita por parte dos partidos que compõem a coligação, e a situação em que o país se encontra, faziam prever um aceso confronto ideológico e um intenso debate dos programas apresentados a sufrágio. Contudo, surpreendentemente, ou talvez não, a pré-campanha tem-se desenvolvido em torno de “fait-divers”. Caminho que a coligação PPD/PSD-CDS/PP mostra querer a todo o custo continuar a perseguir. Escrevo este texto no momento em que a coligação acaba de exigir fazer-se representar em debate pela dupla Passos Coelho e Paulo Portas. Uma birra infantil que torna ainda mais clara a estratégia de fuga ao confronto com o estado de destruição generalizada a que a sua ação condenou o país e com o seu plano de continuação da linha de ação governativa seguida nestes quatro anos. O que a direita arrivista que nos governa não quer é discutir o seu programa de privatização da segurança social por via do plafonamento, de continuação da venda ao desbarato dos poucos ativos estratégicos que ainda nos restam e de empobrecimento dos portugueses. O que a coligação não quer é ser confrontada com a falta de quantificação do desastroso impacto da aplicação do seu programa, com a falta de novas ideias, com a sua persistência numa receita que a realidade mostra ter falhado. Os debates eleitorais não são concursos de jograis. Sempre aconteceu assim com a participação da CDU. Não há novidade. Contudo, isso pouco importa porque o que a coligação PSD/PPD-CDS/PP quer é continuar fugir ao debate.

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