Deixem a coligação de esquerda provar que tem novas soluções

1 – Como se esperava, os resultados das legislativas de outubro ditaram uma tal instabilidade política que bem se pode dizer que o novo Governo andará permanentemente de corda ao pescoço, sempre à espera que alguém lhe aperte o garrote da forca. Esta frase é parte da previsão que fizemos neste mesmo espaço, na edição deste jornal do mês passado.

A vitória da coligação PSD/CDS manifestou-se incapaz de conseguir os consensos necessários para a formação de uma maioria estável, impedindo o segundo Governo de Passos Coelho de entrar em funções regulares. Foi rejeitado no Parlamento pela maioria das esquerdas que se formou entre PS, CDU e BE, caindo no final do debate do programa que apresentou aos deputados.

2 – Apesar de derrotado, António Costa apresentou-se ao presidente da República assegurando ter condições para formar um Governo minoritário, com o apoio dos comunistas e bloquistas. Um acordo necessariamente frágil, e praticamente sujeito aos humores dos parceiros, que não se cansam de afirmar que nenhum dos partidos abdicou dos seus princípios programáticos e ideológicos dominantes.

Seja como for, ninguém põe em dúvida que, sob o ponto de vista formal, esta maioria das esquerdas tem legitimidade constitucional. E se a lei fundamental lhe dá acolhimento, então a questão da legitimidade política é pouco mais do que uma questão retórica. Restará, pois, quando muito, discutir a legitimidade ética de uma tal solução…

3 – Aqui chegados, parece bem mais útil chamar à discussão o pragmatismo político. Nesta perspetiva, estamos perante uma grande oportunidade para tirar todas as dúvidas. Há quatro décadas que andamos todos a dizer que os portugueses estão condenados a ser governados pelos socialistas ou pelos social-democratas, em ciclos de alternância do poder.

Chegou o momento de saber se, afinal, um governo de todas as esquerdas é ou não capaz de resolver os problemas nacionais, certamente com receitas políticas bem diferentes daquelas a que fomos habituados nos últimos 40 anos. Tirem-se todas as dúvidas, deixando as esquerdas demonstrar como se acaba com as injustiças sociais, o desemprego crónico, as desigualdades, etc, etc,…

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