Desafios nacionais – eleições europeias

Portugal terminou com sucesso o programa de ajustamento que, nos três anos passados, exigiu muitos sacrifícios aos portugueses. É bom recordar que esses sacrifícios foram provocados por uma dívida insustentável que hoje, finalmente, está na trajetória inversa.
Importa também assinalar que o pior já passou, e que isso deve-se ao cumprimento do programa de assistência que o anterior governo negociou, mas que este teve de executar. Há ainda assim quem insista que estamos pior do que há um ano. É uma visão de vistas muito curtas que importa rebater.
Se é verdade que há hoje mais desempregados e que o PIB está mais baixo que há três anos é também insofismável que a trajetória quer do emprego, quer do PIB é crescente e não decrescente como já era há três anos atrás. Aliás, muita da atividade económica e do emprego que se verificavam há três anos eram fruto dos elevados défices públicos que não eram sustentáveis mas dava a impressão duma falsa riqueza. Como uma família que se endivida para manter o nível de vida e depois cai, também nós caímos na realidade – dura.
Mas valeu a pena sobretudo porque a alternativa era bem pior: com a bancarrota, Portugal demoraria muito mais tempo a se levantar desta crise.
Posto isto, aproximam-se eleições europeias em que se debatem dois modelos: o do Partido Popular Europeu, representado cá pela coligação Aliança Portugal entre CDS e PSD e o do Partido Socialista Europeu. Dum lado os partidos que tiveram de pagar a fatura, do outro lado os que a pediram e não pagaram.
Curioso é o lema do Partido Socialista: “Mudança”. Mudança para quê, pergunta-se? Para voltar o país ao que era antes da intervenção? Para voltarmos à espiral da dívida? Mas isto não são eleições europeias?
Porventura será “mudança” dos protagonistas europeus. Depois do flop do senhor Hollande e do Partido Socialista Alemão ter ido para o governo com a senhora Merkel serão agora os deputados socialistas ao Parlamento Europeu a virar a Europa. Para um rumo despesista e irresponsável que já nos trouxe ao ponto em que estamos. E contra todos os outros partidos socialistas europeus.
À terceira, só cai quem é parvo.

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