Descendo à terra

O discurso oficial do Governo, e da maioria que lhe dá suporte, assenta nos tais sinais positivos que ninguém sente. Entretanto, descendo à terra, o que vemos é uma realidade bem diferente. Os Portugueses continuam a empobrecer desesperadamente, assistem à continuação dos cortes nos seus salários, pensões e direitos.
Assistem à degradação dos serviços públicos, a uma carga fiscal nunca vista, a números do desemprego verdadeiramente intoleráveis e a uma vaga de emigração a lembrar os tempos do fascismo. Os estudantes abandonam os estudos por motivos económicos e os doentes deixam de ir ao Hospital, porque nem dinheiro têm para o transporte e até cortam na medicação porque não há verba para semelhantes luxos.
Mas o Governo continua a falar na tal recuperação que ninguém vive.
Descendo à terra, só o Governo parece não querer ver que, apesar dos sacrifícios, o País está mais pobre, mais dependente e mais endividado. O PIB continua a cair, a dívida pública continua a crescer e a economia não há meio de arrancar.
Mas o Governo continua a falar dos tais milagres económicos que ninguém vê.
Descendo à terra, as famílias continuam a fazer contas à vida, num esforço para fazer face aos aumentos do preço de bens essenciais, como a eletricidade ou do gás.
E o Governo continua a dizer que o País está melhor, ainda que ninguém dê por isso.
Descendo à terra, constatamos que os idosos estão a ser remetidos à pobreza e à exclusão social e até com muitas crianças a conhecer a fome no nosso País.
Mas se a situação é realmente como o Governo pinta, se as coisas estão assim tão bem, então impõem-se uma pergunta:
E os portugueses, Senhor? Porque lhes dais tanta dor? Porque padecem assim?
Porque se as coisas estão como o Governo diz, não se percebem as razões da manutenção deste enorme aumento de impostos, dos cortes nos salários e nas pensões. Se assim é, porque razão o Governo continua a cortar no Serviço Nacional de Saúde, na Educação e nas prestações sociais? Se assim é, porque razão pretende o Governo transformar os cortes, que foram apresentados como provisórios, em cortes definitivos?
A resposta só pode ser uma, a situação do País não está assim tão boa como o Governo quer fazer crer e o Governo sabe disso.
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