Diferentes, mas solidários

As legislativas já aconteceram e a coligação não deixou de ter uma extraordinária votação, considerando o difícil e penoso percurso que o governo teve que cumprir nos últimos quatro anos. Pelas razões que todos sabemos, o facto de ter ganho as eleições não chegou para formar governo não tendo os partidos que a constituíam outra alternativa que se remeterem à oposição.

Ora, as eleições já foram e um novo governo está constituído, sendo pois tempo de se ultrapassar um certo ressabiamento dos partidos da coligação, que tendo sido natural pela inusitada solução governativa encontrada, começa a ser contraproducente para a sua credibilidade política. Na verdade sendo estranha a solução encontrada, não deixa formalmente de ser legítima e democrática, pelo que urge à direita “virar a página” e começar a preparar o futuro.

Neste contexto, tenho estranhado que os partidos da coligação mantenham uma postura de tal similitude que quase se confundem num só, parecendo fundidos numa nova entidade que os tenha absorvido. Contudo, a verdade é que tendo havido fundadas razões para que assim tenha sido, a nova realidade política começa a exigir que a normalidade se reponha e que cada partido siga o seu natural caminho de autonomia em função das genuínas diferenças que os distinguem. Está, de facto, na hora, de cada um dos partidos, CDS e PSD, redefinirem as respetivas estratégias, sem constrangimentos e sem peias reciprocas que os perturbe, porque Portugal precisa de uma oposição renovada, incisiva e atuante, que se diferencie do atual governo socialista, pela diferença substantiva das propostas que tem para o desenvolvimento do país e não apenas por se sentirem indevidamente arredados do poder.

É forçoso portanto, que a direita pense o país e lhe disponibilize dois novos caminhos alternativos, a este percurso despesista e populista que o PS e a esquerda se preparam para intensificar. As responsabilidades da anterior maioria não se esgotaram com a sua saída do poder, antes se ampliaram e reforçaram porque, a nosso ver, é tão importante a ação de quem na oposição busca a credibilidade de uma alternativa, como a ação de quem governa.

O CDS tem, por consequência, que readquirir competências, libertando-se de uma certa influência paternalista com que o PSD o foi, por ventura naturalmente, envolvendo nos últimos anos, reagindo com a sua reconhecida capacidade de perceber o país e lhe trazer respostas estruturantes às fragilidades que patenteia. Obviamente que este regresso do CDS/PP à sua genuína idiossincrasia, lutando pelo seu crescimento representativo designadamente através das atuais hostes do PSD, não impedem que estes dois partidos possam manter um percurso paralelo e uma ação política complementar, na crítica que sempre se impõe ao populismo socialista e à necessidade de afastar, em oportunidade, os seus apaniguados do poder.

Neste tempo de solidariedade e de festa, o Grupo Municipal do CDS/PP, deseja a todos os Gondomarenses um Santo Natal e um esperançoso ano de 2016.

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