Disseram Presidente da República?

1- O consenso
Cavaco Silva não resistiu a lançar mais um apelo ao consenso, antes de férias.
Começo a ter dúvidas sobre a capacidade de discernimento do Presidente da República, no que diz respeito à avaliação da utilidade política das suas iniciativas. É da mais pura evidência que a construção de um consenso político tem que ter por base um consenso social. Caso esta premissa não esteja garantida, a convergência política é não só artificial como nefasta porque retira a alternativa de opções aos cidadãos, algo vital num regime democrático.
Neste momento, salta à vista a falta de possibilidade de qualquer consenso antes de novas eleições.
O programa de Governo que recolheu o voto da maioria dos portugueses foi absolutamente desvirtuado. A linha de atuação escolhida pelo Governo está muito longe de corresponder o que foi apresentado ao sufrágio do povo e é absolutamente percetível a discordância dos cidadãos face ao rumo governativo adotado, impondo um nível de austeridade muito acima do nível estabelecido pelo “memorando de entendimento”.
Num momento em que se aproximam eleições e o primeiro-ministro, nas suas intervenções, dá sinais claros de não mudar um milímetro a sua linha de rumo, o que é que o Presidente da República pode esperar deste apelo? Nada! São necessárias eleições para que possa existir uma base de consenso socialmente legitimada e só depois disso haverá utilidade nas exortações ao diálogo.
Espremidas as informações saídas da última reunião do Conselho de Estado e o comunicado divulgado, este encontro de figuras de “reconhecido mérito” apenas serviu para se produzir mais uma prova de vida do Presidente da República.
Enfim, uma perda de tempo imprópria para cardíacos stressados e pessoas em dieta.
Ao que consta, houve quem passasse fome, nesse dia, por não querer comer pão e durante as sete horas de reunião apenas foram servidas sandes e sumo de laranja. As coisas importantes que os jornalista conseguiram dizer sobre este encontro!

2 – O Grammy de Carlos do Carmo
Foi atribuído um Grammy a Carlos do Carmo. Um prémio com grande significado para quem anda nos tops mundiais, que ganha ainda mais significado para quem tem uma carreira baseada num país pequeno e sem expressão nesses circuitos.
Carlos do Carmo foi felicitado por três ex-Presidentes da República, mas de Belém não recebeu nem sinais de fumo. Uma atitude de Cavaco Silva que não nos surpreende porque todos nos lembramos do seu silêncio quando foi atribuído o Prémio Nobel a José Saramago.
Temos um Presidente da República que não suporta o pensamento divergente e a sua mesquinhez de espírito não lhe permite alcançar a dimensão da função que lhe foi confiada.
Como alguém dizia ” um Presidente grande não é o mesmo que um grande Presidente”.
A falta de mundo é uma coisa terrível.
Merecíamos um grande Presidente. Merecíamos um Presidente à altura da história e da cultura do nosso povo.
Disseram Presidente da República?

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