Doentes privados com prioridade no sistema nacional de saúde?

Terá alguém do Governo afirmado, que os doentes privados, com seguros de saúde, quando se transferem para o sistema público, pelos mais variados motivos, não podem ter prioridade sobre os que já estão em tratamento nos hospitais públicos. Alegadamente, essas afirmações terão vindo do sr. ministro da Saúde, o que me custa acreditar, vindo de alguém intimamente ligado ao setor. Realmente, verifica-se que muitos doentes com patologias de tratamento prolongado, esgotam os plafons acordados pelo seguros de saúde, e perante a necessidade de continuar um tratamento, vêm-se com necessidade de recorrer a um hospital público por falta de recursos económicos em continuar a sua assistência no privado.

Esse “alguém” terá afirmado que isso é inconcebível, ou seja terão esses doentes que passar para últimos da lista… Acho, a ser verdade, que essa afirmação é, no mínimo, infeliz e, no máximo, de uma falta de conhecimento das situações reais. O que define o grau de urgência foram sempre critérios clínicos e não se o doente é pobre ou rico. Se um doente privado, por exemplo, entra diretamente num hospital publico, os critérios devem ser apenas clínicos, ou seja porque existe uma situação de gravidade real, por exemplo, uma infeção grave e esses doentes vindos de onde vierem, mesmo da rua, deverão ter prioridade no seu internamento. Será grave enviar um doente com uma grave infeção para trás de outro que tem uma artrose do joelho e que, muitas vezes, tem mais tempo para se poder tratar. Se a culpa é de alguém, esse alguém serão os responsáveis que medeiam o poder das seguradores que se dão ao luxo de instituir plafons e idades limites ao fim das quais terminam o seguro unilateralmente sem contribuir para que o seu cliente mantenha uma assistência médica condigna. Até Barack Obama percebeu isso, obrigando as seguradores a eliminar estes critérios totalmente desprezíveis e obrigando as mesmas a alterar as idades limites em muitos casos eliminando esse critério e ao mesmo tempo controlando eficazmente as despesas.

Espero ter contribuído para desmistificar estes delicados assuntos, esclarecendo da melhor forma. O direito à saúde é geral e imposto na constituição da República Portuguesa, como tal, deve ser respeitado.

Sejam felizes

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