E a ofensa continua

Em dezembro último, invocamos nestas mesmas crónicas a absoluta necessidade dos gondomarenses, em especial através dos seus representantes municipais, tomarem as necessárias e devidas providencias no sentido da defesa da salubridade e qualidade do rio Douro que, para isso, se exigia que este se mantivesse cada vez mais limpo, mais salvaguardado de descargas inusitadas de águas residuais sujas e sem tratamento, advindas especialmente da ETAR de Gramido.

Já ao tempo nos fazia imensa espécie, denotar que muita da poluição de que o rio padecia, resultava da ação, da irresponsabilidade, da empresa Águas de Gondomar, precisamente a empresa a quem o Município concessionou a promoção ambiental no concelho, via fornecimento de água e gestão do saneamento. Porque não era plausível nem expectável, que as descargas no rio oriundas da ETAR de Gramido o deixassem sujo, empestado e mal cheiroso.

Na crónica em causa sensibilizamos designadamente o Sr. Vereador do Ambiente para a ingência de tomar todas as decisões necessárias à eliminação de tais inadmissíveis descargas, sempre nocivas para a “vida” do rio mas também perigosas para a saúde da população residente e dos jovens atletas do Clube de Remo cuja atividade por ali se desenrola.

Ora, passados que foram quase seis meses da citada crónica, a verdade é que temos de concluir que a chamada de atenção do CDS/ PP para toda esta problemática caiu em “saco roto”, não se tendo denotado qualquer evolução positiva do assunto, seja pela eliminação daquelas poluentes descargas, seja, até e só, pela sua redução substancial. Com efeito os relatos de contínuas descargas continuaram a ser reportadas, com fortes queixas de que o ar se torna quase que irrespirável nesses períodos, para além de ganhar relevo no rio uma imensa mancha de uma pestilenta espuma, profundamente confrangedora para quem sente a Natureza como seu mais lídimo aliado.

Pois, a ofensa continua. Na passada semana mais descargas aconteceram, sempre, como as restantes, a horas “oportunas”, ou seja, pela calada da noite onde a escuridão esconde muitas das suas repercussões, numa manifesta desautorização relativamente aos mais basilares direitos, pelo menos, dos residentes na zona.

Com este comportamento, que com toda a certeza terá a conivência dos responsáveis municipais, uma vez que vai ocorrendo com a mesma inusitada cadência, e sem que alguma posição relativa destes seja conhecida, continuam a aproximar Gondomar dos piores exemplos terceiro-mundistas, transformando o Rio Douro, um dos primeiros potenciais ativos do concelho, num reservatório de lixo.

É triste. É anacrónico. É inaceitável.

O CDS/ PP não pretende fazer “politiquice” com estes seus reparos. Pelo contrário, almejamos apenas que a responsabilidade de quem representa os gondomarenses se aprume, e que percebam que um dos desideratos maiores da ação de uma Câmara Municipal é precisamente excluir, de forma definitiva, a sua comunidade, de experiências tão angustiantes.

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