É preciso combater o cyberbullying

De um momento para o outro, a internet passou a ocupar um espaço muito significativo na vida de muitas pessoas, em particular das crianças e jovens. Mas apesar das vantagens inegáveis na utilização da internet, nomeadamente ao nível da pesquisa de informação para trabalhos escolares, é importante ter consciência que esta abre uma porta que requer cuidados reais.

Através das redes sociais, alargou-se espaço para o bullying, que já levou a situações com fins trágicos, como, de resto, é do conhecimento público. O cyberbullying constitui um fenómeno a que a sociedade, em geral, e os poderes públicos em particular, não devem ficar indiferentes.

Se é verdade que há uma responsabilidade das famílias em estruturar as suas crianças para a utilização segura da internet, também é verdade que há, de entre outras, duas áreas públicas que nesta matéria podem e devem ter um papel importante: os serviços de saúde e a escola.

A existência de médico de família para todos os cidadãos é uma forma de prevenir e diagnosticar precocemente problemas de vulnerabilidade, de depressão, ou de qualquer nível de problemas de saúde mental, que devem ser levados tão a sério como outros problemas de saúde física.

Ao nível da Educação – e sendo verdade que os professores são agentes determinantes na deteção de problemas e na procura da sua resolução – não é aos professores que compete uma ajuda técnica para as crianças e para os jovens que requerem um acompanhamento ao nível psicológico.

Essa é uma das responsabilidades do psicólogo na escola e a disponibilização dessa ajuda técnica em contexto escolar é determinante para detetar casos de fragilidade e de vítimas de violências que, acompanhados, podem evitar muitas situações de desespero e prevenir o agravamento de outros casos.

O problema é que a instabilidade/precariedade profissional dos psicólogos escolares, bem como o número excessivo de alunos que cada um deles tem para acompanhar, não permitem criar as condições indicadas para o maior sucesso da intervenção relevante destes profissionais.

Os sucessivos Governos têm, de resto, descurado, em grande medida, a utilidade e a criação de condições de trabalho efetivas para os psicólogos escolares.

Recorde-se que o último concurso para admitir, na carreira, psicólogos para os Serviços de Psicologia e Orientação ocorreu em 1997… há 20 anos atrás.

Aliás, em Portugal, existe um psicólogo escolar para mais de 1600 alunos, quando deveria existir um psicólogo para cada 500 alunos.

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