Editorial – agosto 2015

Caros leitores,

A vida das organizações é feita de ciclos. Em cada ciclo, se a organização for capaz de ficar mais forte e mais eficaz e eficiente a organização torna-se capaz de ter uma intervenção mais forte e mais alinhada com os seus objetivos, quer operacionais quer estratégicos.

Ao longo da vida do Vivacidade sou capaz de identificar três grandes ciclos. Cada um deles com os seus grandes e fortes indutores positivos e cada um deles com as pessoas que tornaram possível que o ciclo se realizasse. O ultimo começou seis meses atrás, com o lançamento do projeto editorial “VivaDouro” que está a ser um sucesso absoluto e que está a desencadear pedidos para que desenvolvamos uma série de outos “vivas”, que muito agradecemos, pois são uma forma de reconhecer o nosso trabalho, mas que não somos capazes de promover agora, sem primeiro consolidar melhor os projetos que já temos!

É por sermos positivos e construtivos que os nossos projetos são diferentes. É uma forma de fazer jornalismo que inclui todos os que querem melhorar a sociedade e querem que o país e as regiões se desenvolvam.

E com isto inevitavelmente temos que considerar o período pré-eleitoral em que nos encontramos e olhar para as (pré)campanhas que estão a ser desenvolvidas! E foi o que fizemos, procurando a opinião dos líderes políticos de Gondomar sobre como vai decorrer a campanha e como vêm os principais intervenientes locais os problemas nacionais.

Atrevo-me a dizer: A campanha eleitoral ainda não começou mas alguns partidos precisam de mudar urgentemente a mensagem, pois os votantes portugueses (e europeus) não reagem bem a campanhas negativas de ataque permanente aos adversários. É um modelo que até pode funcionar nas Américas, mas que em Portugal (e recentemente no Reino Unido) já deu provas de ser um enorme tiro no pé e que era bom que os partidos responsáveis percebessem isso e aproveitassem o tempo que ainda têm para procurar recuperar os votantes que já perderam por causa das campanhas desastrosas que andam a fazer.

Tenho tido a sorte de poder conviver diretamente com muitas campanhas e eleições em diferentes locais. Estava em Marselha quando François Hollande ganhou as eleições e estava no Reino Unido quando, há alguns meses, David Cameron arrasou as sondagens e ganhou com uma margem brutal. Curiosamente, sendo um de esquerda e outro de direita, ambos justificam aquilo que disse atrás. Ambos ganham porque apresentam um discurso positivo, num caso a explicar bem o que iria fazer (perdendo votos do centro com a famosa caça às pequenas fortunas cuja concretização felizmente foi bem diferente do modelo que apresentou a eleições; mas que o candidato nunca escondeu) e no outro caso reforçando e explicando muito bem as consequências económicas e o desenvolvimento que o seu governo provocou nas ilhas britânicas.

Também estive nos Estados Unidos e no Brasil em plenas campanhas eleitorais. As diferenças são enormes e o que os eleitores querem ouvir é muito diferente do que funciona na Europa. Importar os modelos que funcionam na América para Portugal não vai ter nenhum efeito positivo, pelo contrário até pode é destruir a confiança que os votantes podiam ter nos candidatos.

Agora depois de ter acompanhado de perto as eleições no Reino Unido percebo que a nossa democracia tem ainda muito para aprender. Os ciclos unipessoais levam a que as pessoas votem nos melhores representantes e é habitual que a disciplina partidária seja quebrada em assuntos de interesse regional pelos representantes do povo. Ou seja, naquela democracia os representantes são mesmo representantes do povo.

Aqui temos que votar em listas! As listas são a pior perversão que pode haver do sistema político, pois os nomes são decididos pelas cúpulas e em função de critérios perfeitamente disparatados como o número de militantes (votantes internos!) que são supostamente representativos de uma zona. Por isso, os nomes são decididos em função das lealdades e não em função das competências ou capacidade de atuação ou intervenção! Um amigo de longa data (ex-deputado) dizia-me já há alguns anos que a principal característica, para os partidos, de um bom deputado é a capacidade de levantar ou baixar o braço de acordo com as instruções recebidas.

Votar por vezes fica assim difícil pois podemos achar que o 6.º da lista é muito competente e que até gostaríamos de o ter no Parlamento, mas para votar no 6.º temos que votar nos cinco que lhe antecedem, que podem ser os maiores crápulas deste mundo. Assim, o votante fica em posições difíceis, sendo que só a consideração das consequências terríveis de não votar ou votar numa lista ainda pior vão levar muitas pessoas a deslocar-se às mesas de voto no próximo dia 4 de outubro.

José Ângelo da Costa Pinto,
Administrador da Vivacidade, SA.
Economista e Docente Universitário

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